FAO elegerá diretor geral; Graziano é um dos favoritos

Os 191 Estados-membros que compõem a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) escolhem, amanhã, um novo diretor geral. É a primeira eleição para o cargo em quase duas décadas, evento que coincide com o momento em que a segurança alimentar se tornou mais precária em várias partes do mundo por causa dos altos preços dos alimentos. O cargo tem seis candidatos, mas a disputa deve se dividir entre o agrônomo brasileiro José Graziano da Silva, e o diplomata espanhol Miguel Angel Moratinos.

AE, Agência Estado

25 de junho de 2011 | 16h49

O novo chefe da maior agência da ONU vai suceder o senegalês Jacques Diouf, eleito pela primeira vez em 1993 e reeleito três vezes para mandatos de seis anos. Seu longo mandato provocou discussões sobre a necessidade de limitar o tempo de permanência no posto mais alto da FAO. O novo diretor-geral assumirá no início de 2012 permanecerá no cargo até 31 de julho de 2015, sendo elegível para um mandato adicional de quatro anos.

À frente do futuro diretor geral haverá o desafio de reduzir ou erradicar a fome no mundo, em um momento de alimentos caros que colocam a vida de milhões de pessoas em risco. A atual situação faz temer a repetição dos distúrbios de 2007 e 2008, provocados pela carestia e escassez de comida. O índice FAO que mede os preços de uma cesta de alimentos atingiu nível recorde em fevereiro. Desde então diminuiu ligeiramente, mas especialistas alertam que os preços permanecem altos demais para muitas comunidades pobres. A agência estimou em 925 milhões o número de pessoas que passavam fome no mundo em 2010, a grande maioria vivendo em países em desenvolvimento.

A agência humanitária Oxfam disse que a eleição de um novo chefe na FAO tem como missão "iniciar uma nova era na organização, tornando-a líder na luta contra os elevados preços dos alimentos e a fome crescente."

Mas o novo líder estará também sob pressão - inclusive do maior contribuinte da FAO, os Estados Unidos - para promover reformas que reduzam a burocracia e os gastos da entidade. "Apenas se completarmos o processo de reforma de uma maneira real e vigorosa vamos eliminar a burocracia na FAO", disse Ertharin Cousin, embaixadora norte-americana para as agências da ONU, em Roma. Há anos os EUA defendem uma reforma na FAO.

Em entrevista à Associated Press nesta semana, Cousin não quis dizer qual o candidato preferido de Washington. Mas ela destacou que o compromisso com a responsabilidade fiscal, o orçamento enxuto e o esforço para aumentar as contribuições voluntárias para a FAO como fatores-chave para o apoio do país. O orçamento da FAO para 2010/11 é de US$ 1 bilhão e as contribuições voluntárias devem elevar esse valor a R$ 1,2 bilhão.

Candidatos

O espanhol Moratinos, fluente em espanhol, inglês e francês, fez campanha em 90 países, incluindo 35 na África. Ele prometeu acelerar o processo de reformas, enxugar o orçamento e promover programas de parceria público-privada. Moratinos foi ministro de Relações Exteriores da Espanha até 2010 e de acordo com suas próprias informações, conseguiu dobrar a ajuda espanhola para programas de desenvolvimento entre 2004 e 2010, período no qual a Espanha se tornou o sexto maior doador da ONU.

Seu principal rival é o brasileiro José Graziano da Silva, que serviu como ministro de Segurança Alimentar e Combate à Fome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nessa qualidade, ele ajudou a implementar o programa Fome Zero, que ajudou a diminuir desnutrição no País. Mais recentemente atuou como representante brasileiro na FAO, em Roma. Graziano também prometeu agilidade nas reformas e disse que a FAO deveria dar prioridade à África, além de ter central na gestão dos recursos hídricos no mundo.

No domingo, sucessivas rodadas de votação serão realizadas entre os 191 membros da FAO, até que um candidato atinja a maioria, metade mais um, dos votos necessários. "Muita coisa vai depender de quantos votos o candidato espanhol conseguirá obter entre os países latino-americanos", disse um observador com conhecimento das negociações.

Correndo por fora há Indroyono Soesilo, um indonésio educado nos EUA que trabalha com questões de desenvolvimento sustentável, nutrição e pobreza em seu país. "Ele terá um bom número de votos de países asiáticos e muçulmanos. Ele é um sério candidato ao cargo".

Outros candidatos são o austríaco Franz Fischler, ex-comissário de agricultura da União Europeia; o veterano diplomata iraniano Mohammad Saeed Noori Naeini e Abdul-Latif Jamal Rashid, ex-ministro de água do Iraque. As informações são da Associated Press.

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