FAO enfrentará 'declínio terminal' se não mudar, diz relatório

A agência da ONU conhecida por combater afome e doenças mortais corre o risco de enfrentar ela própriaum "declínio terminal" caso não faça uma reestruturaçãoradical, segundo uma sombria avaliação preliminar divulgada naquarta-feira. O inédito relatório de 395 páginas sobre a Organização deAlimentação e Agricultura da ONU (FAO, na sigla em inglês) foifinanciado pelos Estados membros e coloca uma enorme pressãosobre a agência, que tem sede em Roma. O documento diz que a direção da FAO é "fraca e estátraindo não só a organização, mas as pessoas do mundo às quaisela serve". O texto cita falta de transparência,responsabilidade e dinheiro, acrescentando que a perspectivafinanceira da agência é "insustentável". Embora elogie várias áreas do trabalho da FAO, o relatóriotambém sugere que a entidade, criada em 1945, pode estar seaferrando a algumas estratégias ultrapassadas, inclusive nodesenvolvimento rural. "Se a FAO não fizer grandes mudanças, sua atual trajetórialevará a um declínio terminal", diz o relatório. Os Estados Unidos ajudaram a financiar o estudo, que custoumais de 4 milhões de dólares e afirma ser a maior e maisambiciosa avaliação já feita de uma organizaçãointergovernamental global. É também a primeira análiseindependente sobre a FAO. O documento não recomenda a desativação da agência. A FAO não quis comentar a avaliação, que ainda serásubmetida a consultas e mudanças. Mas a organização devedivulgar uma resposta em outubro, junto com a avaliação final.

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