FAO sugere consumo de insetos para combater a fome

A Organização das Nações Unidas (ONU) tem novas armas para combater a fome, melhorar a nutrição e reduzir a poluição. Na verdade, elas podem estar rastejando ou voando perto de você agora mesmo: são os insetos comestíveis.

AE, Agência Estado

13 de maio de 2013 | 16h33

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, conhecida pelas iniciais em inglês FAO, declarou que gafanhotos, formigas e outros membros do mundo dos insetos são subutilizados na alimentação de pessoas, de animais de estimação e na pecuária.

Em um relatório de 200 páginas divulgado nesta segunda-feira em Roma, a FAO observa que 2 bilhões de pessoas em todo o mundo já suplementam suas dietas com insetos, que têm alta porcentagem de proteínas e minerais e trazem benefícios ao ambiente.

Os insetos são "extremamente eficientes" na conversão de ração em carne comestível, diz a agência. Na média, ele podem converter 2kg de ração em 1kg de massa. Em comparação, o gado exige 8kg de ração para produzir 1kg de carne.

"A maioria dos insetos tende a produzir menos gases causadores do efeito estufa, altamente nocivos ao ambiente, além de se alimentarem de resíduos e lixo humano, compostagem e chorume animal e alimentos", argumentou a agência.

Atualmente, a maioria dos insetos comestíveis são recolhidos em florestas. A maior parte da produção em escala é geralmente familiar e atende a nichos de mercado específicos, mas a ONU diz que a mecanização pode elevar a produção, lembrando que a indústria de iscas para pesca há muito tempo produz insetos.

A produção de insetos é "uma das várias formas de abordar a alimentação e a segurança alimentar", prossegue a agência.

"Os insetos estão em todo lugar e se reproduzem rapidamente", afirmou a FAO, acrescentando que eles deixam "uma pequena pegada ambiental". Eles fornecem proteínas e nutrientes de alta qualidade na comparação com carne e peixe e são "particularmente importantes como suplemento alimentar para crianças subnutridas", diz o documento.

Os insetos também podem ser ricos em cobre, ferro, magnésio, manganês, fósforo, selênio e zinco, além se ser uma fonte de fibra.

A FAO lembrou que seu Programa de Insetos Comestíveis também examina o potencial dos aracnídeos, tais como aranhas e escorpiões, embora eles não sejam estritamente considerados insetos.

Biólogos têm analisado o valor nutricional dos insetos comestíveis e alguns deles, como certos besouros, formigas, grilos e gafanhotos chegam perto da carne vermelha magra ou do peixe assado em termos de quantidade de proteínas por grama.

Mas eles são saborosos? O relatório lembra que algumas lagartas no sul da África e ovos de formigas tecelãs no sudeste da Ásia são considerados iguarias e atingem altos preços.

E muitas pessoas que podem não gostar da ideia de consumir insetos podem já tê-los ingerido em algum momento na vida, já que muitos são engolidos inadvertidamente. As informações são da Associated Press.

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