BEN STANSALL/AFP
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Farage, líder eurocético do UKIP que tenta chegar ao Parlamento

Com sorriso quase sarcástico e duras críticas sobre a presença de imigrantes no país, Farage aparece como terceira força na pesquisas eleitorais

O Estado de S. Paulo

07 de maio de 2015 | 15h38

LONDRES - Nigel Farage, o líder do Partido de Independência do Reino Unido (UKIP), que pede a saída do país da União Europeia (UE), tenta entrar pela primeira vez no parlamento britânico com uma retórica eurofóbica e contrária à imigração.

Com seu sorriso quase sarcástico e sem papas na língua para criticar a presença de estrangeiros ou a burocracia europeia, Farage é o centro das atenções da campanha eleitoral, pois espera aumentar o número de cadeiras que obteve na última eleição - duas.


Seu contínuo discurso anti-UE ajudou-o a somar apoios entre os britânicos, segundo as pesquisas, que situam seu partido em terceiro lugar, atrás de conservadores e trabalhistas.

Em sua plataforma eleitoral, o UKIP afirma que é a única legenda sincera sobre a imigração e que trabalhará para a saída do Reino Unido da União Europeia.

Farage, deputado no Parlamento Europeu desde 1999, é candidato pela circunscrição de Thanet South, no sudeste da Inglaterra, defende que a forma de "romper" a UE é a partir de dentro. Ele também afirma que as pequenas empresas britânicas estão sofrendo pela carga legislativa e pelas regulações comunitárias.

Nascido em 3 de abril de 1964, Farage foi militante do Partido Conservador até que John Major, o primeiro-ministro "tory" entre 1990 e 1997, decidiu assinar o Tratado de Maastricht em 1992, que estabelecia uma maior integração europeia.

Essa assinatura provocou uma fissura na legenda conservadora, entre os mais pragmáticos e os que estavam à direita do partido, mais "thatcherianos" e eurocéticos até a medula.

Este descontentamento levou Farage a formar em 1993 o que é hoje o UKIP, um partido de ideologia neoliberal e populista, que não quer esperar até 2017 para realizar o tão prometido referendo do primeiro-ministro da Grã-Bretanha, o conservador David Cameron, sobre a permanência ou a saída do país da UE.

Com suas grosserias contra os imigrantes e seus comentários depreciativos sobre os romenos, Farage, que é casado com uma cidadã alemã, se tornou uma figura polêmica, classificada às vezes como racista e fascista.

À medida em que este político aumentava seus ataques contra a UE e os imigrantes, o UKIP somava pontos, e Cameron via muitos de seus tradicionais eleitores cruzarem para o terreno de Farage.

Defensor da liberdade individual, Farage é partidário de uma intervenção mínima do Estado, de impostos baixos e liberdade econômica, e contrário à burocracia comunitária.

Durante a campanha eleitoral, Farage apresentou seu manifesto com a principal promessa de "libertar" a Grã-Bretanha com um referendo que possibilite a saída da UE o mais rápido possível. O político também propôs restringir a imigração de 30 mil pessoas por ano - são mais de 200 mil atualmente - e limitar o acesso dos imigrantes aos benefícios sociais.

Além disso, Farage quer economizar 32 bilhões de libras (R$ 147,6 bilhões) na próxima legislatura reduzindo a ajuda externa e as contribuições à Escócia e à UE, e eliminando projetos como um trem de alta velocidade nacional. / EFE

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