Farc abrem mão de zona neutra para acordo

Enfraquecida, guerrilha desiste de exigência, mas Uribe rejeita diálogo

AP, AFP e Reuters, BOGOTÁ, O Estadao de S.Paulo

30 de março de 2009 | 00h00

Enfraquecida após a libertação de seus reféns políticos mais importantes - incluindo a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt -, a guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) anunciou ontem estar disposta a fazer uma importante concessão para negociar a libertação de um grupo de 22 cativos, todos soldados e policiais, por 500 guerrilheiros presos. O presidente colombiano, Álvaro Uribe, porém, descartou, no sábado, qualquer possibilidade de diálogo com o grupo rebelde.Em comunicado divulgado no site da Agência de Notícias Nova Colômbia, as Farc afirmaram que desistiriam de condicionar o acordo humanitário à desmilitarização de uma zona de 780 quilômetros quadrados no Departamento (Estado) de Valle del Cauca, sudoeste do país."Queríamos reiterar que estamos prontos para a troca de prisioneiros de guerra e dispostos a não fazer do lugar de diálogo um obstáculo impossível de se superar, privilegiando a liberdade dos prisioneiros em poder das partes participantes", assinalou o comando central do grupo rebelde em nota.O documento é uma resposta das Farc a uma carta enviada ao Colombianos Pela Paz, grupo de personalidades liderado pela senadora opositora Piedad Córdoba, que pedia aos rebeldes que abandonassem a prática do sequestro como condição para iniciar conversações de um acordo humanitário.No texto, as Farc pedem para que três chefes guerrilheiros designados para a negociação recebam "garantias efetivas" do governo. Além disso, eles se comprometem a entregar provas de vida dos 22 reféns e o cadáver do major Julio Ernesto Guevara, morto em cativeiro após seis anos sequestrado. Em compensação, as Farc pedem que o governo entregue os restos dos líderes guerrilheiros Raúl Reyes e Iván Ríos, mortos no ano passado."Que diálogo pode haver com esses bandidos que colocam explosivos na proximidade de escolas e no caminho em que passam crianças? O diálogo é com a democracia. O diálogo não é com os terroristas", afirmou Uribe - que recebeu sábado a visita do ex-presidente dos EUA Bill Clinton -, durante um comício em Bogotá.

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