Farc aceitam pacto sobre drogas e avançam na direção de acordo final

A uma semana do primeiro turno da eleição presidencial na Colômbia, na qual o presidente Juan Manuel Santos tenta a reeleição, o governo fechou ontem um acordo com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) sobre o terceiro ponto em discussão dos seis previstos para um pacto que coloque fim ao conflito armado no país.

BOGOTÁ , O Estado de S.Paulo

17 Maio 2014 | 02h04

O acordo é sobre o ponto 4 da agenda de negociação, "Solução para o problema das drogas ilícitas", e foi anunciado em Cuba, onde ocorrem as conversas entre as duas delegações. O pacto foi alcançado quase uma semana antes do prazo final, estipulado para o dia 22. Outros dois pontos do acordo, que tratam da questão agrária e da participação política da guerrilha foram fechados no ano passado, em maio e novembro.

"É necessário encontrar uma solução definitiva para o problema das drogas. A produção e comercialização de substâncias ilegais tiveram graves efeitos na população, afetando o direito à liberdade, e foi usado para financiar o conflito", diz o comunicado do acordo.

No documento assinado ontem, as delegações definem que o conflito interno colombiano tem "causas alheias ao cultivo e comércio de drogas ilícitas" e estabelecem programas de ajuda social e luta contra o narcotráfico. "Definimos a criação de um sistema nacional de auxílio ao consumidor de drogas, com a implementação de ações complementares de inserção social", descreve o documento.

Sobre a luta contra o narcotráfico, foi decidido que o governo deve ampliar a estratégia de combate ao crime organizado, por meio de um mapeamento feito por especialistas, e formular um novo estatuto contra as drogas ilícitas.

Mais cedo, as Farc e o Exército de Libertação Nacional - as duas maiores guerrilhas em ação na Colômbia - declararam um cessar-fogo unilateral que deve durar do dia 20 ao 28, período do primeiro turno da eleição presidencial.

"Estamos ordenando todas as nossas unidades a interromper qualquer ofensiva militar contra o Exército ou a infraestrutura econômica", disse o líder das Farc, Pablo Catatumbo.

Candidatos concorrentes do presidente Santos criticaram o cessar-fogo, visto como uma aproximação com a guerrilha. "Com esse cessar-fogo, as Farc aderem à campanha presidencial", disse a candidata do Partido Conservador, Marta Lucia Ramírez. O governo garantiu que não interromperá as ações militares.

Principal candidato opositor, Óscar Iván Zuluaga, que tem o respaldo do ex-presidente Álvaro Uribe e subiu nas últimas pesquisas, disse que o cessar-fogo deve ser verificável e definitivo. Santos é um defensor do processo de paz e acusa seus rivais de tentarem sepultá-lo caso cheguem ao poder.

Segundo a Rádio Caracol, de Bogotá, o governo colombiano estuda paralisar o processo de paz com até o segundo turno da eleição presidencial, marcado para 15 de junho. O governo não confirmou a informação e disse que o processo continua conforme o cronograma. / AFP e EFE

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