AFP PHOTO / YAMIL LAGE
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Farc adiam ida para as 23 zonas onde ficarão concentradas

Negociador da guerrilha afirma que falta infraestrutura nos locais e as ordens de captura contra os integrantes do grupo ainda precisam ser suspensas

O Estado de S. Paulo

07 Dezembro 2016 | 17h01

BOGOTÁ - As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) informaram na terça-feira 6 que não iniciarão a ida para as 23 zonas veredais, onde devem se concentrar como passo prévio ao desarmamento e à desmobilização, em razão da falta de infraestrutura nessas áreas e a "obstruções jurídicas".

A concentração faz parte do acordo de paz assinado no dia 24 de novembro, mas, segundo o chefe da equipe negociadora das Farc, Luciano Marín, conhecido como Iván Márquez, não será possível enquanto não entrarem em vigor as suspensões de ordens de captura contra os guerrilheiros.

"A última instância de condução política do país ordenou acelerar a adequação das zonas de normalização às quais devem confluir as unidades guerrilheiras de pré-agrupamento uma vez estejam em vigor as suspensões de ordens de captura", disse Márquez à imprensa em Bogotá.

As Farc reiteraram o compromisso de cumprir o acordo, se desmobilizar e deixar as armas, e asseguraram que se ofereceram para que os guerrilheiros trabalhem na construção da infraestrutura necessária para alojá-los nas zonas e pontos de reunião.

O acordo de paz referendado pelo Congresso no dia 30 de novembro estabelece que no dia seguinte a esse passo começaria o "dia D" para a implementação do pactuado. Isso inclui o início, cinco dias depois da data, da mudança dos guerrilheiros às zonas onde se concentrarão.

Márquez esclareceu que o mecanismo de monitoração e verificação do cessar-fogo, composto por membros das Farc, do governo e da ONU, está realizando visitas às 23 zonas para "de maneira coordenada estabelecer a infraestrutura necessária para receber os guerrilheiros".

Segundo Iván Márquez, uma vez que as Farc fiquem nas zonas projetadas, o governo "transferirá para esses espaços os guerrilheiros e colaboradores presos por crimes não indultáveis, segundo a legislação anterior à entrada em vigência da lei de anistia".

Esse projeto legislativo, que deve ser aprovado no Congresso, contém o perdão jurídico aos guerrilheiros que não tenham cometido delitos graves segundo a tipificação do Estatuto de Roma, tais como crimes contra a humanidade, abusos sexuais e recrutamento de menores.

"Estamos muito próximos, mas não podemos ser irresponsáveis e entrar onde não há onde dormir e fazer as necessidades básicas", afirmou Jesús Santrich, conhecido como Seusis Pausivas Hernández, outro negociador das Farc. / EFE

 

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