Farc admitem ter sequestrado general colombiano

Farc admitem ter sequestrado general colombiano

Grupo guerrilheiro afirmou que ação faz parte do conflito existente no país e 'integridade física' dos reféns será respeitada

O Estado de S. Paulo

18 Novembro 2014 | 14h15

(Atualizada às 15h55) BOGOTÁ - As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) admitiram nesta terça-feira, 18, o sequestro do general colombiano Rubén Darío Alzate, do suboficial Jorge Contreras Rodríguez e da advogada Gloria Urrego. Os três foram sequestrados no domingo por unidades guerrilheiras no Departamento (Estado) de Chocó.

"Uma vez identificados corretamente, lembrando que usavam roupas civis, os três foram capturados por nossas unidades em razão de serem militares inimigos, que agem em exercício de suas funções, em uma área de operações de guerra", afirmou o Bloco Iván Ríos do grupo guerrilheiro em um comunicado publicado na página oficial das Farc.

Os guerrilheiros afirmaram "respeitar a vida e a integridade física e moral" dos prisioneiros e disseram estar dispostos a garantir essa integridade.

O negociador das Farc Pablo Catatumb afirmou que enquanto houver confrontos, fatos como o sequestro podem acontecer. "Esse incidente nos faz refletir sobre um cessar-fogo bilateral", acrescentou.

O sequestro do general levou o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, a suspender as negociações de paz com a guerrilha, que iniciariam o 31.º ciclo de diálogos nesta quarta-feira. O presidente determinou à sua equipe de negociação que não viaje a Havana até que Alzate e os outros reféns sejam libertados.

"Estamos dispostos a encontrar uma solução rápida, tranquila e justa para esse problema", disse Catatumb. Horas antes de admitir o sequestro, as Farc haviam dito que continuavam comprometidas com o processo de paz e esperavam que o governo colombiano retomasse as negociações.

Na manhã desta terça, Santos havia dito que manterá suspenso o processo de paz até que as Farc "demonstrem sua vontade de paz" e libertem o general e os outros sequestrados, um suboficial e uma advogada. "Enquanto essa situação não se solucionar, reiterei aos negociadores que não poderão viajar a Havana para retomar as negociações."

O militar colombiano foi capturado quando desembarcou de um barco civil e sem guarda-costas, em uma vila próxima à cidade de Quibdo. Sua captura colocou dúvidas sobre as negociações realizadas em Havana, que em dois anos conseguiram mais progresso do que todas as tentativas anteriores.

Nesta terça, forças militares colombianas enviaram tropas à região onde o general foi capturado. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha também está trabalhando para garantir a libertação, assim como Cuba e Noruega, países garantidores do processo de paz.

Apesar de as partes estarem sentadas à mesa de negociações, os enfrentamentos, ataques e bombardeios na selva e nas montanhas colombianas continuam, em um conflito que já dura meio século e deixou 200 mil mortos e milhões de desabrigados./AFP e REUTERS

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