FARC ameaçam romper negociações com governo

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), maior grupo guerrilheiro do país, advertiram que, se o governo do presidente Andrés Pastrana ceder à pressões para acabar com a zona desmilitarizada, os rebeldes romperão o processo de negociações que busca pôr fim ao conflito que castiga o país há 37 anos. Em mensagem enviada aos negociadores do governo, Manuel Marulanda, líder das FARC, disse que, se os cinco municípios do sudoeste do país onde se realizam os diálogos "forem ocupados militarmente, aí acaba tudo e nem sequer haverá portas abertas para o próximo presidente" da Colômbia. Marulanda acrescentou em sua mensagem, datada de 12 de setembro, que "acabar com tudo não tem sentido nem lógica política", depois de quase três anos de diálogo, e atribui a interesses eleitorais a campanha para pôr fim à zona desmilitarizada. Vários candidatos presidenciais pediram que a prorrogação da concessão da zona às FARC fosse condicionada ao compromisso da guerrilha de não utilizar a área para esconder seqüestrados nem organizar suas forças para ataques a civis, e de, em troca, aceitar um cessar-fogo e a cessação das hostilidades. Horacio Serpa, candidato do opositor Partido Liberal à presidência, anunciou que irá em 29 de setembro a San Vicente del Caguán, sede das negociações de paz, para demonstrar que essa zona não pertence às FARC; o candidato oposicionista assegurou no domingo, durante um comício, que está disposto a sacrificar sua própria vida para demonstrar que não há necessidade de ter visto para entrar ali. Pastrana, por sua vez, já manifestou a intenção de estender incondicionalmente a vigência da zona desmilitarizada para além de 9 de outubro, porque a alternativa a isso seria a guerra total. Em compensação, ele prometeu acelerar as negociações para obter uma trégua.

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