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Farc aprovam decisão de Santos de analisar cessar-fogo bilateral

Guerrilha mais antiga das Américas está pronta para discutir com o governo adesão ao fim de agressões

O Estado de S. Paulo

15 de janeiro de 2015 | 14h47


BOGOTÁ - As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) responderam nesta quarta-feira, 14, em Havana, ao presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, que a guerrilha mais antiga das Américas está pronta para discutir com o governo "o cessar-fogo bilateral".

O anúncio foi feito pela guerrilha através de um comunicado datado e assinado em Havana pela Delegação de Paz das Farc no país. "Recebemos com consentimento a declaração do presidente Santos no sentido de enviar seus representantes a Havana para discutir imediatamente o cessar-fogo bilateral", afirmaram as Farc em um documento divulgado em seu site.

O presidente Juan Manuel Santos anunciou na quarta-feira que determinou o início das discussões sobre um cessar-fogo bilateral e definitivo com as Farc, com base nas negociações de paz que se desenvolvem em Havana. "Dei instruções aos negociadores para que iniciem, o mais rápido possível, a discussão sobre um cessar-fogo bilateral e definitivo", disse Santos em uma mensagem pela TV.

As Farc acrescentaram que, apesar de Santos ter dito que a guerrilha está "no caminho correto" ao declarar uma trégua unilateral e indefinida, as ordens do governo de continuar com sua ofensiva contra os guerrilheiros é contraditória."No entanto, apesar de o presidente considerar que o cessar-fogo unilateral e indefinido declarado pela nossa organização é o caminho correto, nos parece contraditória e temerária a ordem de intensificar as ações ofensivas contra a guerrilha em trégua, na medida em que continua colocando em risco a continuidade do cessar-fogo unilateral", advertiram as Farc.

A guerrilha também garantiu que o cessar-fogo bilateral - solicitado por ela em várias oportunidades, mas sem a adesão do governo - significaria, em "termos práticos" o fim do conflito, muito antes da assinatura de um acordo final.

O governo e os rebeldes das Farc iniciaram as negociações de paz em novembro de 2012, mas sem acertar um cessar-fogo bilateral, devido ao temor do governo de ceder espaço à guerrilha para se reagrupar.

Em 20 de dezembro passado, as Farc anunciaram um cessar-fogo unilateral por tempo indefinido.Santos recordou que para discutir a possibilidade de um cessar-fogo bilateral “estão sendo preparados altos oficiais da ativa, de todas as forças".

As negociações em Havana já permitiram acordos em três dos seis pontos da agenda - desenvolvimento rural, participação política e drogas ilícitas - e outros três pontos permanecem pendentes: indenização das vítimas, abandono das armas e mecanismo para referendar o que foi acertado. / AFP e EFE

 

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