Farc atacam instalações militares na Colômbia

Enquanto as forças governamentais da Colômbia avançam para tomar o controle de todas as cidades da antiga "Farclândia" - a área de 42 mil quilômetros quadrados no sul do país concedida pelo governo aos rebeldes para servir de sede para as negociações de paz rompidas na semana passada -, guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) atacavam nesta terça-feira instalações militares nos arredores da capital Bogotá.Em meio a uma campanha de atentados a bomba contra a infra-estrutura em diversos pontos da Colômbia, os guerrilheiros deixaram sem energia elétrica e comunicações várias localidades que circundam Bogotá e lançaram um maciço ataque contra um quartel do Exército a pouco mais de 15 quilômetros da capital.Embora praticamente não estejam resistindo ao avanço do Exército na área que lhes foi cassada no sul do país, os rebeldes das Farc estão envolvidos em violentos combates em Putumayo, a sudoeste de Bogotá, com paramilitares direitistas das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC) e no leste - onde dinamitaram pontes e torres de energia e instalaram bloqueios em rodovias -, com soldados do Exército.Foi por meio de um bloqueio de estrada - na rodovia que liga a cidade de Florencia, no sudoeste, a San Vicente del Caguán, a principal da ex-Farclândia - que os guerrilheiros seqüestraram no sábado a candidata à presidência e ex-senadora Ingrid Betancourt e a chefe de campanha dela, Clara Rojas.As autoridades militares informaram na segunda-feira à noite ter localizado o cativeiro das reféns, mas acrescentaram que não lançariam uma operação de resgate para não pôr a vida das duas mulheres em risco. Ingrid tem menos de 1% das intenções de voto para o primeiro turno das eleições presidenciais colombianas de 26 de maio. Antes, em 10 de março, a Colômbia realiza eleições parlamentares.Estima-se que os guerrilheiros que ocupavam a área da qual foram expulsos fugiram para as selvas e montanhas do sul da Colômbia. Os cerca de 15 mil militares que participam da operação de retomada da área já controlam a área urbana de quatro dos cinco municípios da ex-zona desmilitarizada. A Força de Deslocamento Rápido, unidade de elite do Exército colombiano, prepara-se para entrar em La Uribe - município de 10 mil habitantes em cuja área rural localiza-se o principal acampamento do líder e fundador das Farc, Pedro Antonio Marín, mais conhecido como Manuel Marulanda ou Tirofijo (tiro certeiro).A inteligência militar colombiana, no entanto, constatou que os rebeldes já abandonaram o município desde a semana passada, quando o presidente colombiano Andrés Pastrana ordenou aos militares que retomassem a área.De acordo com um estudo militar, ao qual teve acesso o jornal colombiano El Tiempo, a operação para a retomada total da antiga zona desmilitarizada deve durar pelo menos seis meses. "Essa é uma das operações mais longas e complexas da história das Forças Militares e, por isso, vamos devagar", declarou ao jornal um dos generais encarregados da ação. "É melhor dar passos lentos e seguros."As negociações de paz com o governo se arrastavam havia três anos, mas o seqüestro de um senador do Partido Liberal (de oposição a Pastrana), Jorge Eduardo Gechen Turbay, foi interpretado pelo governo como um sinal de que o desejo de paz das Farc não era sincero. Para capturar o senador, os guerrilheiros desviaram da rota uma avião de passageiros com mais de 30 ocupantes. Até agora, não há pistas do paradeiro de Gechen.

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