AFP PHOTO / Raul Arboleda
AFP PHOTO / Raul Arboleda

Farc buscam bases como partido político

Grupo quer participar das eleições de 2018, mas enfrentará desafios em razão da polarização do país causada pela assinatura do acordo de paz

O Estado de S.Paulo

27 Agosto 2017 | 20h43

BOGOTÁ - As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) iniciaram neste domingo, 27, o congresso em que definirão a plataforma sobre a qual lançarão seu partido político para poder participar das eleições de 2018, um grande desafio ante a má reputação e a crescente polarização do país após o acordo de paz.

Depois de 53 anos de guerra contra o Estado, a maioria dos combatentes das Farc foram anistiados em razão do acordo firmado em 2016 com o governo do presidente Juan Manuel Santos. A possibilidade de conversão da guerrilha em partido político é parte do pacto de deposição das armas. 

Em ônibus escoltados por motos e carros da polícia, milhares de ex-combatentes chegaram a um auditório no centro de Bogotá, a maior parte vestida com camisetas brancas com a mensagem "Por um governo de transição para a reconciliação e a paz". A estratégia política das Farc deve incluir coalizões com partidos de esquerda, segundo líderes do grupo.

"Nos transformaremos, a partir deste evento, em uma nova organização, exclusivamente política, que exercerá sua atividade pelos meios legais", disse o líder Rodrigo Londoño, conhecido como "Timochenko", em discurso. Ele advertiu, porém, que o grupo não renunciará a seus princípios revolucionários. "Temos grandes desafios adiante e múltiplas dificuldades. Nada é fácil no mundo político, muito menos a atividade revolucionária", afirmou Londoño.

Segundo o acordo de paz, durante os próximos dois mandatos legislativos, o partido fundado pelas Farc terá 10 assentos no Congresso – cinco no Senado e cinco na Câmara dos Deputados –, mesmo que não consigam alcançar os votos suficientes nas eleições. 

Um dos principais desafios do futuro partido Força Alternativa Revolucionária da Colômbia será conseguir respaldo em uma sociedade majoritariamente conservadora, que não esqueceu os 220 mil mortos deixados pelo conflito armado. Para analistas, a antiga guerrilha, que desmobilizou mais de 7 mil combatentes, buscará apoio primeiro nas regiões rurais onde teve forte presença durante os combates. / REUTERS

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