AP Photo/Fernando Vergara
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Farc começam a entregar suas armas

Guerrilha, concentrada em 26 zonas da Colômbia para o desarmamento e retorno à vida em sociedade, deverá estar sem armamento em junho

O Estado de S. Paulo

01 de março de 2017 | 16h46

BOGOTÁ - As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), principal guerrilha do país, começaram nesta quarta-feira, 1.º de março, o processo de desarmamento, ponto essencial do acordo de paz assinado com o governo para acabar com meio século de confrontos. "É um dia histórico para o país", escreveu no Twitter o presidente Juan Manuel Santos.

O líder das Farc, Rodrigo Londoño Echeverri, conhecido como Timochenko, também comemorou na rede social o que chamou de "um passo a mais para a paz" com o início da entrega das armas nas zonas onde a guerrilha se prepara para voltar à vida civil.

Alçadas contra o Estado em 1964, as Farc selaram um acordo de paz com o governo de Bogotá depois de quatro anos de negociações que estabelecem que os rebeldes deveriam depor as armas em um período de 180 dias a partir de 1.º de dezembro, o chamado "dia D", em um processo supervisionado pelas Nações Unidas.

Segundo o cronograma acertado, a entrega das armas será feita em três fases: nesta quarta (o chamdao dia D + 90) deveriam ser entregues 30% das armas; em abril, outros 30%; e em maio, os 40% restantes. A ideia é que o processo termine até o dia 1.º de junho.

Antes da primeira etapa de entrega, deveriam ser cumpridos passos prévios: registro das armas, destruição do armamento instável (explosivos, minas e munição) e armazenamento das armas pesadas. Como houve um atraso no início desse processo, em razão de problemas logísticos para o deslocamento das Farc até as zonas veredais - que deveria ter terminado em 31 de dezembro, mas acabou no dia 18 de fevereiro -, ficou combinado que nesta quarta teria início o processo de registro do armamento.

Para a destruição do armamento instável, os guerrilheiros deverão informar a localização desses artefatos à equipe da ONU. Após o recolhimento de todas as armas das Farc, elas serão levadas dos acampamentos e destruídas para a construção de três monumentos: um que ficará na sede das Nações Unidas, em Nova York, um na Colômbia e outro em Cuba.

Acompanhamento. A ONU, que destinou 450 observadores internacionais para esta missão, elogiou em um comunicado "o consenso das partes de iniciar sem mais demora" o desarmamento. O "armazenamento gradual" em contêineres que ficarão dentro das 26 zonas veredais começará com a recepção das armas dos 322 integrantes das Farc que integram o Mecanismo de Monitoramento e Verificação, uma entidade tripartite (guerrilha, governo e ONU) que deve controlar o cessar-fogo.

Na zona de concentração das Farc em San José de Oriente, a 30 minutos da cidade de Valledupar, a guerrilheira Adriana Cabarrus disse à agência France Press que o grupo "está dando este passo com toda disposição e bom ânimo". Outra guerrilheira, Maritza González, de 54 anos e militante desde os 14, está esperançosa. "Estou deixando o fuzil pela escova", afirmou.

O registro e a entrega das armas serão coordenados nesta fase apenas entre a ONU e as Farc, com o organismo multilateral atuando como avalista do processo, explicou o Alto Comissário para a Paz, Sergio Jaramillo.

O presidente Santos, que recebeu o Nobel da Paz por seus esforços de pacificação com a guerrilha, anunciou na terça-feira o lançamento de programas para o pós-conflito, como planos especiais de desenvolvimento de municípios atingidos pela violência.

O governo também informou que haverá outros avanços na aplicação da paz: 1.200 guerrilheiros poderão receber anistia ainda esta semana e na semana que vem a discussão no Congresso sobre a Jurisdição Especial para a Paz (JEP), que, segundo o acordo, julgará os crimes cometidos nos 50 anos de confronto, pode ter uma conclusão. /AFP

 

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