Farc condenam à morte 40 carcereiros de ex-reféns

BOGOTÁ

Reuters e Efe, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2010 | 00h00

Um comandante guerrilheiro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) sentenciou à morte os 40 rebeldes que vigiavam os 4 reféns libertados pelos militares.

O resgate do general Luis Mendieta, dos coronéis Enrique Murillo e William Donato e do sargento Arbey Delgado ocorreu no domingo no município de Calamar, no Departamento do Guaviare. Os 4 militares passaram quase 12 anos sequestrados pelas Farc, que ainda mantêm 18 militares e policiais como reféns, com a intenção de trocá-los por guerrilheiros presos.

"Referem-se aos carcereiros em termos vulgares e dão a ordem de assassiná-los", disse aos jornalistas o comandante do Exército, general Oscar González. Fontes militares afirmaram que a declaração do general teve como base a interceptação da comunicação por rádio da guerrilha. A ordem de execução foi dada pelo comandante militar das Farc, Jorge Briceño, conhecido como "Mono Jojoy".

Os 40 guerrilheiros que vigiavam os reféns fugiram pela selva em meio aos tiros e granadas dos militares. O próprio presidente colombiano, Álvaro Uribe, convidou os rebeldes a se desmobilizarem e colaborarem com a libertação de outros sequestrados. Em troca, receberiam recompensas e imunidade penal.

Recompensa. O Exército colombiano planeja pagar US$ 1,3 milhão para os informantes que ajudaram a localizar o área onde estavam os reféns.

O general González assegurou, "sem nenhuma dúvida", que o Exército colombiano "protegerá até o último momento" um guerrilheiro desertor que colaborou com o governo e "cujas orientações foram valiosas" para o sucesso da missão. "Os planos do governo de reinserção na sociedade são suficientemente generosos e esperamos pelos ex-guerrilheiros", disse.

A libertação dos militares, na chamada Operação Camaleão, foi a maior vitória política e militar para o governo Uribe desde o resgate, em julho de 2008, da ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, de 11 militares e de 3 americanos, todos reféns das Farc. As libertações foram obtidas a uma semana do segundo turno das eleições presidenciais. O candidato de Uribe, o ex-ministro da Defesa Juan Manuel Santos, lidera as pesquisas, com 65,1%.

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