Farc condiciona acordo de paz à troca humanitária

Na mais radical mudança de posição desde 2002, a guerrilha marxista Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) propôs hoje ao governo colombiano o início de negociações de paz na seqüência de um processo de troca de 59 reféns - incluindo a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt - por cerca de 500 guerrilheiros presos. Por meio do representante que designou para realizar os contatos com as Farc, Álvaro Leyva, o governo do presidente Álvaro Uribe recebeu com reservas - mas também com otimismo -, a proposta de ir além da troca, apresentada numa carta aberta assinada pelo principal negociador da guerrilha, Raúl Reyes."Se a troca (dos reféns pelos prisioneiros) fracassar, nenhuma dessas intenções sairá do papel", disse Leyva. "É fundamental que criemos condições para garantir que o episódio da libertação seja totalmente bem-sucedido e, se isso ocorrer, acredito que o país terá surpresas agradáveis todos os dias."Em agosto de 2003, em entrevista ao Grupo Estado, Reyes havia descartado qualquer possibilidade de diálogo com Uribe - a quem acusava de vínculos com os paramilitares de direita, que combatem tanto as Farc quando a guerrilha guevarista Exército de Libertação Nacional (ELN) no país. Uribe, por seu lado, foi eleito em 2003 e reeleito em maio com a promessa de derrotar militarmente os grupos armados.DesmilitarizaçãoNa semana passada, no entanto, Uribe aceitou fazer concessões às Farc e concordou, em princípio, com a desmilitarização de dois municípios do sul do país, Florida e Pradera , pelo máximo de 45 dias, para que sirvam de sede para o diálogo sobre a troca de presos. As Farc se dispuseram a aceitar a oferta no fim de semana.Ambos os lados, porém, condicionam suas ofertas. Uribe assinala que só haverá troca de presos após a garantia de que as Farc não utilizarão a área "para operações criminosas". Para iniciar acordos de paz, as Farc pedem a desmilitarização de dois departamentos (Estados), Caquetá e Putumayo (no sul do país), a suspensão de ordens de captura de seus líderes e um pedido do governo para que o grupo deixe de ser considerado internacionalmente uma organização terrorista, entre outras demandas.Em 2002, negociações entre o governo e as Farc, iniciadas em 1999, foram suspensas. A guerrilha foi acusada de utilizar uma área desmilitarizada de 42 mil quilômetros quadrados para fortalecer-se militarmente, como cativeiro para reféns e para plantar folha de coca.Texto ampliado às 18h21

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