Luis Acosta/AFP
Luis Acosta/AFP

Farc denuncia morte de 36 ex-guerrilheiros desde acordo de paz

Guerrilha, que se tornou partido político, diz que ex-combatentes sofreram 49 ataques e exige proteção do governo

O Estado de S.Paulo

23 Janeiro 2018 | 20h56

BOGOTÁ - O partido político Farc, criado após o desarmamento do grupo guerrilheiro, denunciou ontem 49 ataques contra ex-combatentes e militantes do movimento, dos quais 36 foram assassinados desde a assinatura do acordo de paz de novembro de 2016 com o governo da Colômbia.

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O partido Força Alternativa Revolucionária do Comum (Farc) informou, em entrevista coletiva, que a maioria dos ataques ocorreu no Departamento de Antioquia, no noroeste do país, e nos de Cauca e Nariño, localizados no sudoeste da Colômbia. Camilo Fagua, integrante do movimento, exigiu que as “autoridades deem garantias reais para o exercício da política do novo partido”.

Os assassinatos mais recentes ocorreram na semana passada, quando dois militantes da Farc foram mortos no município de Peque, em Antioquia. No domingo, vários militantes foram mortos no Departamento de Arauca, na fronteira com a Venezuela, por supostos guerrilheiros dissidentes que não aceitam o acordo de paz.

O partido também denunciou ameaças contra sua sede na cidade de Cali. O integrante da Farc Diego Méndez declarou que todos os ataques devem ser condenados, independentemente de quem tenha cometido, seja por parte da dissidência como pelos grupos armados herdeiros dos paramilitares, já que “são ataques ao exercício político”.

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O partido disse que as ameaças persistem, como no caso de Leydy Johana Poblador, que foi agredida física e verbalmente na noite de domingo por pessoas que estavam armadas. “Eles me agrediram brutalmente e me mostraram fotos de companheiros para que eu os avisasse que sofreriam o mesmo tratamento”, disse Johana.

O ataque ocorreu em Ciudad Bolívar, um dos bairros mais pobres de Bogotá, onde no sábado a Farc lançará sua campanha política para as próximas eleições presidenciais, marcadas para 27 de maio. O partido pretende manter o ato, apesar das ameaças. / EFE

 

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