EFE/LEONARDO MUÑOZ
EFE/LEONARDO MUÑOZ

Farc divulgam relatório de seu capital, estimado em US$ 325 milhões

Grupo afirma ter terrenos, rebanho, dinheiro e ouro; segundo acordo de paz, valor deve ser destinado para reparação das vítimas

O Estado de S.Paulo

25 Agosto 2017 | 17h39

BOGOTÁ - As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) estimaram nesta sexta-feira, 25, ter ao menos US$ 325 milhões em capital, incluindo terrenos, rebanho e dinheiro. A ex-guerrilha, que concluiu o desarmamento de seus 7 mil combatentes no dia 15 de agosto como parte do acordo de paz com o governo do presidente Juan Manuel Santos, publicou o inventário de bens e ativos que entregou a uma missão das Nações Unidas. 

O pacto fechado com Santos em novembro do ano passado prevê que a fortuna declarada pelos rebeldes contribua para indenizar as vítimas dos 50 anos de conflito, que também envolveram narcotraficantes, guerrilhas e grupos ilegais de extrema direita. "Mais uma vez, com a entrega do inventário de bens e ativos, as Farc continuam cumprindo de maneira estrita o acordo", disse Pastor Alape, dirigente da organização que em breve se tornará um partido político. 

O inventário revelado pelas Farc inclui imóveis, veículos, gado, cavalos, armamento, equipamentos, dólares, ouro e as obras públicas em suas zonas rurais de influência. Os ex-guerrilheiros avaliaram seu capital em quase um bilhão de pesos e mais 267.520 gramas de ouro, totalizando cerca de US$ 325 milhões. 

O resumo entregue pelas Farc detalha que o grupo possui 241 mil hectares de terra, 292 meios de transporte, 20.724 cabeças de gado e mais de US$ 450 mil em dinheiro, entre outros ativos. Ao longo dos 50 anos de conflito, as Farc financiaram sua luta com atividades ilegais como o tráfico de drogas e sequestros. 

O procurador-geral da Colômbia, Néstor Martínez, questionou a transparência do inventário com o argumento de que seria menor que o que aparece em suas investigações. Pastor Alape reagiu dizendo que o funcionário quer obstruir a implementação dos acordos e disse que as Farc colaboraram com o governo para verificar a lista. 

Diante das dúvidas do Ministério Público, o governo colombiano criou na quinta-feira 24 uma comissão para verificar o inventário e advertiu que vai expropriar qualquer bem que não tiver sido declarado pelos ex-guerrilheiros. Se alguém tiver ocultado bens, poderá ser processado por suspeita de lavagem de ativos. 

As Farc depuseram as armas em troca de se tornar um partido político legal e receber penas alternativas à prisão se confessassem seus crimes, reparassem as vítimas e se comprometessem a nunca mais exercer a violência. / AFP

 

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