Farc e ELN negam autoria de atentados recentes

Apesar das acusações do governo sobre o envolvimento de guerrilheiros nos recentes atentados em duas cidades colombianas, que deixaram 49 mortos e cerca de 220 feridos, os grupos rebeldes do país negaram sua participação nesses ataques - uma prática pouco utilizada pelas duas principais guerrilhas do país.As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) afirmaram em um comunicado que "não existe responsabilidade" de suas unidades no atentado com um carro-bomba que, em 7 de fevereiro, em um exclusivo clube social da capital, Bogotá, provocou a morte de 36 pessoas e deixou mais de 60 feridas. Também o Exército de Libertação Nacional (ELN) refutou as versões que responsabilizam o grupo pelo atentado contra o Centro Comercial Alejandría, na cidade de Cúcuta, em 5 de março passado, que deixou 10 mortos e mais de 60 feridos. No entanto, as autoridades indicam que têm até a identidade do membro do ELN que colocou a bomba no local. Tais desmentidos rompem com o padrão de conduta das guerrilhas, de não reivindicar ou negar ações violentas. Ambas só têm reconhecido suas ações depois de serem pressionadas pela comunidade nacional e internacional, como na ocasião em que as Farc assassinaram três ativistas americanos dos direitos indígenas em 1999, ou causaram a morte de 119 civis durante um combate contra paramilitares em uma aldeia, em 2002. Por sua vez, o ELN reconheceu como seu um ataque contra um oleoduto que provocou um incêndio que destruiu o povoado de Machuca, ceifando a vida de mais de 70 moradores, em 1998. "As guerrilhas estão mostrando como são importantes para elas os meios de comunicação e a comunidade internacional", disse nesta terça-feira para a Associated Press o analista político da Universidade de Rosario, Vicente Torrijos. A nova atitude dos rebeldes também poderia obedecer à campanha internacional do governo do presidente Alvaro Uribe para que esses grupos sejam declarados terroristas. Como o Brasil, o Equador e a Venezuela negaram tal solicitação, os guerrilheiros estão aproveitando a atual conjuntura para reiterar seu compromisso de não realizar ações terroristas, apesar de agirem de forma a demonstrar o contrário. Em uma nova ação, supostos guerrilheiros urbanos atacaram hoje três ônibus do sistema de transporte público de Bogotá, um dos quais ficou totalmente queimado. O ataque incendiário contra um quarto veículo foi evitado. Ninguém ficou ferido. Duas mulheres indicadas pelos passageiros como responsáveis pelo ataque com garrafas de gasolina contra um dos ônibus foram detidas no norte da capital, informou a Polícia Metropolitana de Bogotá. Uma das garrafas foi deixada dentro do ônibus e apreendida pelos agentes policiais. Os passageiros do ônibus em que ambas viajavam conseguiram abandonar o veículo pelas portas e janelas, relatou uma testemunha.O ataque, segundo o chefe da Polícia Nacional, general Teodoro Ocampo, "é terrorismo das Farc".

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