AFP PHOTO/YAMIL LAGE
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Farc estão dispostas a estender prazo para acordo com governo

Depois de o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, dizer na quarta-feira que não assinaria 'acordo ruim' apenas para cumprir data, negociador diz que guerrilha aceita negociar novo prazo

O Estado de S. Paulo

10 de março de 2016 | 12h39

HAVANA - A guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) disse nesta quinta-feira, 10, que está disposta a fixar uma nova data para assinar o acordo de paz com o governo da Colômbia já que considera não haver condições para cumprir o prazo inicialmente previsto, de 23 de março, para selar as negociações.

O discurso da guerrilha está em acordo com as declarações feitas na quarta-feira pelo presidente colombiano, Juan Manuel Santos, que abriu a possibilidade de estender as negociações até 23 de setembro. "Concordamos com o que ele (Santos) disse, que não há condições (de assinar o acordo final) no dia 23", afirmou em Havana - sede dos diálogos de paz desde novembro de 2012 - Joaquín Gómez, negociador das Farc. "Aceitamos definir um novo prazo, desde que seja consensual, e pensamos que depois do dia 23 podemos chegar a um entendimento."

Na quarta, ao participar do encerramento de um evento religioso, o presidente colombiano disse que "não assinaria um acordo ruim" apenas para cumprir uma data.

"Depois de tanto esforço, depois de tanto tempo, se não chegarmos ao dia 23 (de março) com um bom acordo, direi para a contraparte: 'estipulemos uma nova data'", afirmou o presidente. Essa foi a primeira vez que Santos admitiu publicamente a possibilidade de adiar a assinatura do acordo de paz depois de passar meses afirmando que não ampliaria o prazo para definir o processo.

O prazo de 23 de março como limite para selar a paz foi um compromisso anunciado pelas Farc e pelo governo colombiano em 23 de setembro de 2015, quando foi assinado em Havana o acordo com relação a Justiça, um dos pontos mais complicados na negociação.

Até o momento, as partes concluíram as negociações sobre reforma agrária, luta contra o narcotráfico, participação política dos guerrilheiros e justiça e reparação às vítimas. A negociação atual se concentra nos complexos aspectos do cessar-fogo bilateral e definitivo e no desarmamento das Farc. / AFP

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