AP Photo/Fernando Vergara
AP Photo/Fernando Vergara

Farc lançam partido político na Colômbia antes de visita papal

Bogotá também quer avançar em acordo com a guerrilha do ELN até a chegada do papa Francisco ao país

O Estado de S.Paulo

24 Julho 2017 | 11h58
Atualizado 24 Julho 2017 | 20h49

BOGOTÁ - As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) lançarão seu partido político em 1.° de setembro, como parte do acordo de paz com o governo, segundo o qual os antigos guerrilheiros ocuparão vagas no Congresso. O papa Francisco visitará a Colômbia entre os dias 6 e 10 de setembro, em uma viagem dedicada a consolidar o processo, no qual a Igreja foi mediadora importante. 

O governo de Juan Manuel Santos e a guerrilha Exército de Libertação Nacional (ELN) iniciaram nesta segunda-feira em Quito a terceira rodada de conversações para obter um avanço no cessar-fogo bilateral também antes da visita do papa. A agenda do pontífice será marcada por um lema que simboliza a transição do país: “Demos o primeiro passo”. 

NA visita ocorre após mais de 50 anos de conflito com as Farc e em um momento de polarização social e política pela implantação do processo de paz. As Farc têm um alto índice de desaprovação, que em maio chegava a 82%, segundo o Gallup.

De acordo com a Santa Sé, a duração da visita, que será somente à Colômbia, não é comum. “É raro que o papa visite só um país e até mesmo fique quatro dias. Isso demonstra a importância que Francisco atribui a essa viagem”, disse o núncio apostólico, Ettore Balestrero.

O acordo de paz assinado entre o governo e a guerrilha permitirá às Farc colocar dez integrantes não eleitos no Congresso na eleição de março de 2018 e concederá anistia à maioria dos ex-combatentes. Rebeldes condenados por tribunais especiais por violações de direitos humanos escaparão de condenações tradicionais e realizarão trabalhos reparadores, como remover minas terrestres.

“O grupo ainda não anunciou quais de seus membros ocuparão as vagas no Congresso nem o nome do partido, mas pretende realizar encontros antes do lançamento para ajustar as propostas políticas”, disse o comandante Carlos Antonio Lozada. 

A antiga guerrilha não descarta a possibilidade de manter a sigla Farc. Cada ex-guerrilheiro definirá se participa da política com o nome de guerra ou com o nome de batismo. “O partido político das Farc pode ser um passo para a abertura do sistema político na Colômbia”, disse à agência France Presse Marc Chernick, professor das universidades de Georgetown (Washington) e Los Andes (Bogotá).

Para o cientista político, as Farc buscarão consolidar um partido político de esquerda, mas não necessariamente marxista.

“A grande preocupação é consolidar a paz na Colômbia”, declarou o ex-chefe da equipe negociadora das Farc com o governo, Luciano Marín Arango, conhecido “Iván Márquez”, em entrevista em Bogotá.

O líder das Farc destacou que um aspecto que interessa a todos os colombianos “é a verdade” e se referiu a uma reunião que teve na quarta-feira com outros chefes guerrilheiros, com delegados das Autodefesas Unidas Colombianas (AUC) – antigos inimigos no conflito armado –, na qual conversaram sobre a reparação às vítimas e a necessidade de desvincular as armas da política. 

As guerrilhas de esquerda e os grupos paramilitares criados para combatê-las travaram durante anos duros combates pelo controle territorial que deixaram centenas de vítimas na Colômbia. 

As Farc assinaram em novembro um acordo de paz e atualmente fazem seu trânsito para a vida em sociedade, enquanto as AUC foram desmobilizadas em 2006. / REUTERS, AFP E EFE

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