Farc mudam de tática e ampliam ações na Colômbia

Após quase dez anos de combate intenso às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), a ofensiva do governo colombiano começa a mostrar seus primeiros sinais de desgaste. Dados divulgados por uma ONG de Bogotá mostram que o número de ataques perpetrados pelo grupo rebelde aumentou 10% no primeiro semestre do ano, indicando um possível fortalecimento da guerrilha, que decidiu descentralizar as ações.

AE, Agência Estado

07 de agosto de 2011 | 09h24

De acordo com o documento "A nova realidade das Farc", da Corporación Nuevo Arco Iris - organização que promove ações políticas para a paz e o desenvolvimento na Colômbia -, as Farc realizaram 1.115 ações armadas na primeira metade de 2011 e devem totalizar até o fim do ano cerca de 2.200 ataques.

Os números contradizem o governo que, em 2008, após a morte de uma série de líderes da guerrilha, chegou a dizer que as Farc estavam "perto do fim". Segundo a Corporación Nuevo Arco Iris, o aumento no número de ações das Farc é uma tendência observada ao longo dos últimos três anos e está relacionado diretamente com a mudança de comando na cúpula da guerrilha.

"Após as mortes de Raúl Reyes e Mono Jojoy, as Farc realmente estavam prestes a desaparecer", afirmou, por telefone, Ariel Ávila, pesquisador da entidade e um dos responsáveis pelo relatório. "Só que após Alfonso Cano assumir o comando da guerrilha, o grupo deu início a uma nova estratégia e começou a se reagrupar."

A nova estratégia recebeu o nome de "Plano 2010" e começou a ser implementada em meados de 2008. Segundo Ávila, o plano de reestruturação tática e militar da guerrilha tem como base a descentralização. "Depois que o governo matou líderes centrais das Farc, o grupo decidiu criar mais unidades menores, com maior autonomia para planejar e realizar ataques."

O tipo de ações praticadas pelas Farc também mudou nos últimos anos. A guerrilha tinha entre suas principais atividades o sequestro. Agora, o grupo rebelde investe mais em carros-bomba, franco-atiradores e ataques menores.

Expansão

A mudança de estratégia das Farc também fez com que o número de guerrilheiros aumentasse, afirmam especialistas. Enquanto o governo estima em 7 mil o número de combatentes das Farc, cientistas políticos e pesquisadores relacionados ao conflito armado colombiano acreditam que a guerrilha conte hoje com aproximadamente 10 mil homens armados.

A ampliação da atuação da guerrilha, porém, não pode ser relacionada à mudança de governo na Colômbia que, após oito anos sob o comando de Álvaro Uribe, elegeu Juan Manuel Santos para a presidência em junho do ano passado. Uma pesquisa divulgada no mês passado deu a Santos 76% de aprovação. No entanto, de acordo com o mesmo levantamento, 62% dos colombianos desaprovam a política de segurança do presidente. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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