AP Photo/Rodrigo Abd
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Farc obteve US$ 22,5 milhões com narcotráfico entre 1995 e 2014

Dinheiro da guerrilha é uma incógnita na Colômbia e provoca um debate constante na reta final de um processo de paz com o governo de Juan Manuel Santos

O Estado de S. Paulo

10 Junho 2016 | 11h28

BOGOTÁ - A guerrilha marxista das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) obteve US$ 22,5 milhões com o narcotráfico entre 1995 e 2014, informou na quinta-feira a Procuradoria, citando registros de computadores confiscados em diferentes operações.

"Este rendimento, de mais de 66 bilhões (de pesos) é o que estava (registrado) em três computadores com a contabilidade de três blocos e seriam movimentações de dinheiro entre 1995 e 2014", disse a jornalistas o procurador-geral da nação, Jorge Fernando Perdomo.

"Conseguimos estabelecer que as Farc têm seu próprio plano único de contas, assim como um sistema de contabilização de todos os seus ingressos, produto do narcotráfico", informou o chefe da entidade acusadora, que assegurou que a informação está documentada e provada.

O dinheiro das Farc, principal grupo rebelde do país, é uma incógnita na Colômbia e provoca um debate constante na reta final de um processo de paz com o governo de Juan Manuel Santos para acabar com mais de meio século de conflito armado.

Perdomo assegurou que a guerrilha, surgida em 1964 de um levante camponês, participa de todas as fases de produção e distribuição de cocaína, tanto de forma direta quanto indireta, proporcionando segurança a camponeses de cultivos ilícitos e organizando marchas de agricultores contra a erradicação dessas plantações.

"As Farc participaram em toda a cadeia de valor criminosa do narcotráfico (...), da semeadura da folha de coca, à transformação em pasta de coca e cloridrato de cocaína e a distribuição desta cocaína", indicou.

A Procuradoria, que estabeleceu o narcotráfico como um dos "eixos de financiamento" das Farc, entregará seus informes aos juizados de Justiça transitória que entrarão em funcionamento após a assinatura final dos acordos de paz, que avançam em Havana desde novembro de 2012.

Está previsto que estes tribunais anistiarão os crimes menos graves e punirão somente os responsáveis por crimes contra a humanidade durante a conflagração interna.

Neste contexto, o tráfico de drogas "pode ser considerado delito conexo a um delito político, quando o narcotráfico foi parte da obtenção de recursos para financiar a luta armada", esclareceu Perdomo.

O conflito armado colombiano, iniciado em 1964 como uma insurreição camponesa, confrontou guerrilhas de esquerda, paramilitares de direita e forças públicas, e deixou mais de 260 mil mortos, 45 mil desaparecidos e 6,8 milhões de deslocados. /AFP

Veja abaixo: Crianças deixam guerrilha na Colômbia


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