Farc pedem cessar-fogo antes de pacto

Guerrilheiros reivindicam trégua bilateral durante as negociações de paz com Bogotá

HAVANA, O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2012 | 03h06

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia anunciaram ontem que proporão um cessar-fogo bilateral ao governo colombiano assim que começar a primeira rodada de negociações entre os guerrilheiros e Bogotá, prevista para ocorrer em Oslo, em outubro. No dia anterior, o Ministério da Defesa colombiano havia anunciado a morte de um insurgente considerado o braço direito do líder máximo das Farc, Rodrigo Londoño, em um bombardeio no nordeste do país.

"Estamos em uma guerra, conscientes da importância de terminar o conflito social e armado que a nossa pátria vive. E não há problemas. Para isso estamos sentados na mesa de diálogo", disse ontem em Havana o guerrilheiro Marco León Calarcá, ao ser questionado sobre a ação que matou o insurgente identificado como Danilo García. Calarcá respondeu que o mais importante é "desenvolver e preservar esse processo que se inicia".

Durante a entrevista coletiva, o comandante guerrilheiro Mauricio Jaramillo afirmou que o encontro na capital norueguesa ocorrerá no dia 8 de outubro. "O cessar-fogo nós vamos reivindicar assim que nos sentarmos à mesa", disse "El Médico".

O presidente Juan Manuel Santos afirma que não suspenderá as atividades de combate à guerrilha durante a negociação, que tem entre seus objetivos finais o cessar-fogo "bilateral e definitivo". Ontem, o líder colombiano disse que "não baixará a guarda", segundo seu gabinete. Para analistas políticos, essa atitude torna improvável a possibilidade de um acordo que ponha fim ao conflito antes de um possível acordo de paz.

Após o encontro em Oslo, a previsão é que as conversas entre Bogotá e as Farc continuem em Havana. Jaramillo afirmou que Iván Marques liderará a representação da milícia e José Santrich também participará das conversas.

El Médico exigiu que o guerrilheiro Simón Trinidad - que cumpre 60 anos de prisão nos EUA desde 2008, quando foi condenado pelo sequestro de três americanos que ficaram reféns das Farc por mais de cinco anos - também esteja presente na negociação. "Isso não depende de nós. O processo tem de ser realista", disse o presidente Santos sobre a reivindicação, afirmando que nos contatos que fez com seu colega americano, Barack Obama, não discutiu o caso de Trinidad - preso no Equador em 2004 e deportado pouco depois para os EUA.

Jaramillo afirmou que as Farc não mantêm mais ninguém em cativeiro. Na Colômbia, parentes de vítimas se indignaram. O ex-deputado e ex-refém Sigifredo López exigiu saber o que aconteceu com sequestrados que nunca mais foram vistos. Segundo a Fundação País Livre, 405 reféns continuam desaparecidos. O guerrilheiro negou envolvimento da milícia com o narcotráfico. / REUTERS e AFP

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