Farc pedem zona desmilitarizada na Colômbia

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) pediram ao governo a desocupação militar de uma zona na Colômbia para negociar a libertação de políticos, militares e policiais em troca de rebeldes presos. "Sem zona desmilitarizada é impossível haver um encontro entre as comissões do governo e das Farc", disse um comunicado rebelde divulgado nesta terça-feira através da Internet."É preciso saber os nomes e sobrenomes dos porta-vozes do governo para o intercâmbio de prisioneiros", indicaram os insurgentes. Embora o presidente Alvaro Uribe tenha designado, há duas semanas, uma comissão exploratória para o intercâmbio, não se trata ainda de uma comissão oficial, e as Farc assseguraram que tal decisão busca apenas "distrair a atenção das pessoas interessadas" na libertação de seus familiares. Esta comissão exploratória está integrada pelo vice-presidente da Conferência Episcopal, monsenhor Augusto Castro; o ex-ministro do Trabalho Angelino Garzón e o secretário da Comissão de Conciliação da Igreja Católica, o sacerdote Dario Echeverri. Todos eles são personalidades que gozam de grande respeito e credibilidade no país, por isso sua nomeação gerou grandes expectativas.O Secretariado do Estado Maior Central das Farc afirmou que as eventuais entrevistas entre porta-vozes do governo e da guerrilha para a busca de acordos sobre a troca de prisioneiros devem efetuar-se na Colômbia, em local previamente escolhido pelas partes e em "zonas desmilitarizadas". Os rebeldes indicaram que é seu desejo libertar todos os 45 militares e policiais que mantêm em seu poder, os 12 deputados departamentais (estaduais) de Valle del Cauca, dois ex-ministros, o governador de Antioquia, o ex-governador de Meta e a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt. Em contrapartida, as Farc esperam "a libertação de todas as guerrilheiras e todos os guerrilheiros privados de liberdade". As Farc responsabilizaram Uribe e as Forças Armadas pelo que possa acontecer com a integridade física dos "prisioneiros de guerra", se prevalecer a decisão de continuar com os resgates militares dos seqüestrados. Uribe manifestou o desejo de realizar um intercâmbio humanitário, desde que conte com a mediação das Nações Unidas e que os rebeldes que forem libertados se dirijam a um terceiro país, para que não continuem realizando ações violentas. Também rejeitou a idéia de criar novas zonas desmilitarizadas, como a que foi concedida pelo presidente Andrés Pastrana (1998-2002) às Farc para negociar um frustrado acordo de paz. Segundo o mandatário, tal zona deu uma grande vantagem militar à guerrilha, servindo para que as Farc desenvolvessem sua tecnologia bélica - como a recentemente empregada num atentado explosivo em Bogotá, que deixou 35 mortos e 162 feridos.

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