AP Photo/Ricardo Mazalan
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Farc priorizarão política mesmo após não ao acordo de paz

Analistas avaliam que estrategicamente retorno às armas não compensa mais para a guerrilha colombiana

Fernanda Simas Enviada Especial / Cali, Colômbia, O Estado de S. Paulo

09 de outubro de 2016 | 05h00

Apesar da vitória do “não” no plebiscito que referendaria o acordo de paz do governo do presidente Juan Manuel Santos com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), analistas acreditam que o futuro do grupo guerrilheiro está na via política.

Após a divulgação do resultado, existia o temor de que o líder da guerrilha, Rodrigo Londoño Echeverri, conhecido como Timochenko, fizesse um discurso falando em voltar a pegar em armas. Mas, ao contrário, a reação dele foi lamentar o resultado e dizer que seguiria buscando a paz. 

“As Farc não querem o retorno à guerra, os dirigentes já disseram. Há a questão emocional do processo, mas há um elemento racional: durante as negociações, as Farc compartilharam informações com o Exército. Hoje, se voltam a pegar em armas, as Forças Armadas têm muita informação sobre a guerrilha, que estaria em desvantagem por pelo menos seis meses”, explica o cientista político e professor da Universidade de Externado Frédéric Massé. 

O projeto militar da guerrilha prevaleceu sobre o projeto político a partir dos anos 90, quando a tomada do poder pelas armas se tornou o principal objetivo do grupo, por meio da expansão territorial. “O poder poderia parecer mais ao alcance porque elas (Farc) infligiam derrotas clamorosas às Forças Armadas, que pareciam incapazes de lhes fazer frente”, explica o cientista político Daniel Pécaut, autor de As Farc, uma guerrilha sem fins?. 

Mas isso muda conforme a guerrilha perde militarmente. “As Farc sempre terão uma veia militar, mas não são organizadas como antes e perderam muitos integrantes ao longo da guerra”, argumenta Massé.

A guerrilha ainda não apresentou um programa político, mas analistas afirmam que, em razão das características do grupo, o foco inicial será obter representatividade nas áreas mais rurais.

Alianças. Mesmo com o acordo sendo renegociado e aprovado, as Farc enfrentarão desafios. Um deles é conseguir apoio nas urnas e deixar a desconfiança para trás. “É certo que os colombianos têm dificuldade de aceitar as Farc, mas todos os processos de paz passam por isso”, afirmou o alto-comissário para a paz Sergio Jaramillo. 

 

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