Farc provoca êxodo de autoridades no sul da Colômbia

O governo disse que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) têm uma estratégia para provocar o êxodo maciço das autoridades do sul do país, recriando desta forma uma espécie de zona de distensão como a que tiveram enquanto havia negociações de paz. "Trata-se de uma estratégia das Farc para fazer com que o Estado desapareça desses territórios. E não vamos permitir isso", disse o ministro do Interior, Armando Estrada, ao qualificar de "abusivas" as pressões das Farc. O ministro anunciou na quinta-feira à noite que estão sendo tomadas medidas para proteger os municípios duramente castigados pela insegurança. No departamento (estado) de Caquetá, 16 prefeitos ameaçados abandonaram seus postos depois do assassinato na quarta-feira, por supostos rebeldes, do chefe do governo municipal de Solita, quando este se preparava para ir a Bogotá pedir proteção. Já no departamento de Huila, seis prefeitos se dirigiram à capital esta semana após serem pressionados pela guerrilha a apresentar sua renúncia. Na mesma situação estão vários prefeitos de Putumayo. Também o Conselho Superior do Judiciário determinou na quinta-feira o fechamento temporário de 14 fóruns nos departamentos ameaçados em uma decisão preventiva diante da atual situação. Estrada asssegurou à agência oficial de notícias ANCOL que os prefeitos ameaçados receberão carros blindados e sofisticados sistemas de comunicação para sua segurança. Além disso, será reforçada a presença militar nos departamentos de Caquetá, Huila e Putumayo. O governo também estuda o estabelecimento de uma ponte aérea que conduza esses prefeitos para quem a viagem por estrada se tornou muito perigosa, a cada 15 ou 20 dias, às capitais de seus departamentos, explicou o ministro, que conversou esta semana com os políticos ameaçados. Quanto à proposta de nomear prefeitos militares, Estrada disse que houve apenas uma solicitação nesse sentido em um município cujo edil foi assassinado. No entanto, o procurador geral Luis Camilo Osorio sustentou que "para onde houver um prefeito que não queira assumir suas funções a lei prevê mecanismos para sua substituição". O presidente da Federação de Municípios, Gilberto Toro, afirmou à Associated Press (AP) que "o governo nacional está disposto a dar acompanhamento aos prefeitos" dos três departamentos que estão sendo ameaçados pela guerrilha. Toro anunciou que hoje os prefeitos do departamento de Caquetá se reunirão com o máximo delegado das Nações Unidas na Colômbia, Anders Kompass, porque "para eles é muito importante a intervenção da comunidade internacional" neste caso. O mandatário de Doncello, no departamento de Caquetá, Omar Baro Gómez, afirmou à AP que "neste momento não temos nenhuma segurança" e pediu uma "supervisão internacional" para garantir o execício da democracia local. Desde janeiro de 2001, 14 prefeitos colombianos foram assassinados e outros 16 foram seqüestrados, segundo a Federação de Municípios.

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