EFE
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Farc querem compor coalizão para governar em 2018

Grupo manterá as siglas Farc, apesar da rejeição da população, e buscará integrar uma coalizão democrática

O Estado de S.Paulo

01 Setembro 2017 | 19h48

BOGOTÁ - A ex-guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) detalhou nesta sexta-feira, 1, o projeto político do partido que constituirá no país após o acordo de paz com o governo. Segundo os líderes do grupo, a legenda manterá os ideais defendidos nos últimos 50 anos de luta armada, com um viés pragmático para garantir a implementação da paz, por meio de uma coalizão democrática. 

Chamado de Força Alternativa Revolucionária do Comum, o novo partido tentará formar parte de uma coalizão de governo, garantiu o negociador-chefe do grupo Ivan Márquez. “Buscaremos uma grande coalizão democrática de grande convergência, construída a partir de alinhamentos compartilhados e compromissos mútuos”, disse, sem detalhar com quais entidades pretende se aliar. 

O partido Farc pretende reunir camponeses, estudantes, trabalhadores e mulheres em suas fileiras e admite suavizar o discurso para reduzir a resistência que enfrenta em grande parte da sociedade colombiana – 80% da população rechaça o grupo. Márquez disse que pretende se juntar aos “indignados”, em uma referência a movimentos de esquerda que surgiram na Europa nos últimos anos.

Ainda de acordo com Márquez, a rosa vermelha apresentada como símbolo do partido – um ícone dos partidos social-democratas da Internacional Socialista – tem uma carga muito positiva e ajudará a transmitir nova mensagem para a Farc. “A rosa significa amor, amizade e coração aberto”, disse. “Por isso queremos nos vincular a quem quer a mudança. Tem também uma expressão muito feminina.”

A maior parte dos candidatos da Farc a cargos públicos deve ser composta por mulheres, outra ferramenta para tentar diluir a imagem ruim da guerrilha perante a população. “A Farc tem para alguns uma carga negativa”, reconheceu Márquez. “Mas isso se deve ao passado revolucionário que não vai se apagar.”

A direção nacional do novo partido terá 111 integrantes. Como parte do acordo selado com o governo, a Farc terá 10 assentos no Congresso – 5 no Senado e 5 na Câmara – mesmo que não tenha os votos necessários para consegui-los na eleição do ano que vem. 

O líder do ex-grupo guerrilheiro, Rodrigo Londoño, conhecido como Timochenko, assegurou que a decisão de manter as siglas Farc, mas com um novo significado, foi apoiada por 628 dos delegados que participam do congresso, enquanto que 264 preferiam a opção Nova Colômbia. Para especialistas, as siglas Farc são relacionadas às centenas de crimes em meio século de luta armada./ AFP e EFE

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