Fernando Vergara / AP
Fernando Vergara / AP

Farc querem que mulheres ganhem mais poder

Incluir uma visão de gênero no movimento político legal, no qual o grupo se transformará após deixar as armas, é um dos principais temas da X Conferência Nacional Guerrilheira

O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2016 | 11h56

BOGOTÁ - A dias de assinar um acordo de paz para colocar um fim aos mais de 50 anos de conflito armado, a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) está "entrando na briga" para empoderar as mulheres, afirmou um de seus dirigentes na terça-feira.

"Nas Farc, temos brigado para que o protagonismo da mulher transcenda mais", disse aos jornalistas Pastor Alape, membro do secretariado das Farc e integrante da delegação que negociou, em Cuba, o pacto de paz com o governo de Juan Manuel Santos.

"Nesse processo de diálogo (...) nossas mulheres ficaram mais corajosas e discutem com mais envolvimento do que no século passado", destacou Alape, ao reconhecer seu "respeito" e "admiração" pela "tenacidade" feminina na construção da paz.

Incluir uma visão de gênero no movimento político legal, no qual as Farc se transformarão depois de deixar as armas, é um dos temas da X Conferência Nacional Guerrilheira, reunida para ratificar o acordo de paz alcançado com o governo Santos, após quase quatro anos de negociações em Havana.

Embora a cúpula de sete membros que dirige as Farc não inclua nenhuma mulher, Alape, nome de guerra de José Lisandro Lascarro, destacou que as "companheiras fizeram o que podiam" para promover essa nova abordagem.

"Todos se perguntam por que no secretariado das Farc não há mulheres. São as condições. (...) 'É porque são machistas', nos dizem. Foi o que nos aconteceu até agora. Somos (machistas), mas estamos lutando permanentemente contra isso", disse Alape. "Consideramos que, em todo esse processo, é preciso reconhecê-las, e esse é um debate que está na conferência", afirmou.

Cerca de 350 delegados dos 7 blocos das Farc em toda a Colômbia assistem às deliberações, que acontecerão até sexta-feira em El Diamante, no Caguán, bastião da guerrilha no sudeste do país. Alape disse que 121 "companheiros e companheiras" se inscreveram para falar no evento, entre eles 32 mulheres. "Até o momento falaram 22", contabilizou.

Como em Havana, onde uma subcomissão de gênero incluiu o tema no acordo de paz, na conferência guerrilheira também há uma comissão dedicada a promover a participação política da mulher, apontou Alape.

O acordo de paz com as Farc, que será assinado na segunda-feira, em uma cerimônia em Cartagena, poderá entrar em vigor se for aprovado pela população no referendo que acontece em 2 de outubro. / AFP

Veja abaixo: O acordo de paz entre Colômbia e as Farc

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