Farc questionam mediação da ONU em conflito

A guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) enviou nesta sexta-feira sinais de que não vê com bons olhos a proposta lançada pelo novo presidente colombiano, Álvaro Uribe, de converter a ONU em mediadora de um eventual processo de paz. Por meio da agência de notícias Anncol, que atua como porta-voz das Farc, um documento dos rebeldes afirma que o papel da ONU em outros conflitos pelo mundo "tem sido muito questionado". "Há dúvidas sobre o papel das Nações Unidas em Ruanda, na Indonésia, nos Bálcãs e, hoje, no Oriente Médio com o drama do povo palestino", diz o comunicado. ?Recentemente, esse organismo mundial absolveu o Estado de Israel pelo massacre de Jenin. Até o papa ou a rainha Elizabeth, da Grã-Bretanha, podem oferecer seus bons ofícios para mediar a questão, mas se não há uma vontade real de mudança do establishment colombiano, se fecha qualquer possibilidade de pôr fim ao conflito armado." Plano Uribe - que tomou posse na quarta-feira, quando as Farc realizaram o ataque com mísseis caseiros que matou 19 civis, em Bogotá - anunciou hoje que o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, lhe telefonou para dizer que aceita mediar o conflito colombiano. O novo presidente, eleito no primeiro turno de 26 de maio, com uma plataforma de confronto aberto com os grupos armados, apresentou na quinta-feira um plano de segurança para mobilizar a população civil no conflito com a guerrilha. Esse envolvimento consiste na formação de ?uma rede de um milhão de informantes comprometidos sem hesitações com o apoio às forças governamentais" e na convocação de 100 mil voluntários que receberão uma ajuda de custo para realizarem trabalhos de apoio a policiais e soldados do Exército que combatem diretamente os rebeldes. Uribe, no entanto, declara estar disposto a estabelecer negociações de paz com a guerrilha e com os esquadrões da morte paramilitares, desde que esses grupos suspendam as ações armadas. Nos últimos dias, como parte da campanha de sabotagem ao governo de Uribe, as Farc intensificaram suas ofensivas em todo o país. O Exército colombiano informou hoje que combates entre a guerrilha e os paramilitares nas montanhas do norte do país deixaram o saldo de pelo menos 50 mortos. Ao mesmo tempo, a polícia anunciou a captura de 25 rebeldes da guerrilha Exército de Libertação Nacional (ELN) nos arredores de Medellín.

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