Jose Miguel Gomez/Reuters
Jose Miguel Gomez/Reuters

Farc reconhece sequestros como 'erro gravíssimo' e pede perdão a vítimas na Colômbia

'Este fardo hoje pesa na consciência e no coração de cada um de nós', afirmou organização em comunicado público

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2020 | 22h25

BOGOTÁ -  A guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) - que assinou um acordo de paz com o governo em 2016 - pediu desculpas nesta segunda-feira, 14,  às milhares de pessoas que sequestraram e expressaram seu pesar pela "dor" e "humilhação" que infligiram a elas no cativeiro. Essa foi a mensagem de perdão mais contundente desde que a organização assinou o pacto com o então presidente Juan Manuel Santos.

"O sequestro foi um erro gravíssimo do qual só podemos nos lamentar", disse a liderança do grupo, que após o acordo de paz tornou-se um partido político com as mesmas iniciais, mas significados diferentes: Força Alternativa Revolucionária do Comum. 

As Farc, que já foram a organização rebelde mais poderosa das Américas, admitiram ainda que o "sequestro (...) feriu mortalmente" a "legitimidade e credibilidade" de seu levante armado contra o Estado colombiano. “Este fardo hoje pesa na consciência e no coração de cada um de nós”, acrescentou, em comunicado público.

A ex-guerrilha responde por atrocidades no tribunal criado após os acordos de paz que permitiram a desmobilização de cerca de 13 mil rebeldes, incluindo 7 mil combatentes.

Na mensagem, o partido Farc garante entender a dor que causou a "tantas famílias" e citou o caso de Andrés Felipe Pérez, uma criança de 12 anos que morreu de câncer em 2001 enquanto seu pai, um cabo da polícia, estava no poder dos rebeldes. O pai acabou assassinado em cativeiro.

"Sentimos como uma facada no coração a vergonha que nos produz não ter escutado o clamor de Andrés Felipe Pérez. Não podemos devolver o tempo perdido para evitar a dor e as humilhações que causamos a todos os sequestrados", diz o partido.

A justiça de paz investiga mais de 20 mil sequestros realizados pelos rebeldes que largaram as armas, entre eles a da franco-colombiana Ingrid Betancourt, que passou seis anos presa em cativeiro antes de ser libertada em uma operação militar em 2008.

Os dirigentes da ex-guerrilha, que além de sequestros respondem a acusações de recrutamento de menores, poderão receber penas de até 20 anos de prisão.

Embora o desarmamento das Farc tenha aliviado sensivelmente a violência na Colômbia, grupos armados financiados pelo narcotráfico ainda operam no país e, nas últimas semanas, organizaram massacres e assassinatos. /AFP

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