Farc recuam e admitem diálogo

Pela primeira vez, guerrilheiros não impõem condições que frustraram tentativas anteriores

Efe e Reuters, Bogotá, O Estadao de S.Paulo

29 de outubro de 2008 | 00h00

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) - maior e mais antigo grupo guerrilheiro em atuação na América Latina - declararam ontem que aceitam iniciar diálogo com um grupo de 150 intelectuais, políticos, jornalistas e dirigentes sociais colombianos para discutir a "saída política do conflito, a troca humanitária (de seqüestrados por guerrilheiros presos) e a paz".É a primeira vez em 40 anos de conflito que o grupo guerrilheiro aceita uma proposta de diálogo sem mencionar duas condições que frustraram negociações anteriores - a desmilitarização das cidades de Pradera e Florida, no Departamento (Estado) do Vale do Cauca, no sudoeste da Colômbia, e a reincorporação de guerrilheiros libertados às suas fileiras.O anúncio ocorre dias após a fuga do ex-deputado Óscar Tulio Lizcano - um dos 25 reféns políticos mantidos pelas Farc -, que escapou do cativeiro de 8 anos com a ajuda de um guerrilheiro. Só este ano, 2.500 guerrilheiros das Farc desertaram, entre eles, 340 combatentes com mais de dez anos de guerrilha, atraídos por programas de recompensa do governo colombiano que vão do perdão de penas por crimes cometidos a assistência médica (leia quadro).Entre as novas exigências mencionadas pela guerrilha está a participação da "grande maioria dos presidentes latino-americanos" nas negociações. Até então, os líderes de vizinhos vinham sendo mantidos afastados dos assuntos internos colombianos. A única exceção foi aberta para o presidente venezuelano, Hugo Chávez, escolhido para mediar a libertação das reféns colombianas Clara Rojas e Consuelo Gonzáles, em janeiro.Para a senadora Piedad Córdoba - que freqüentemente atua como mediadora nos diálogos com as Farc -, a resposta da guerrilha é "muito positiva". Segundo ela, esta pode representar uma nova etapa nas negociações pela paz.CARTASO grupo de intelectuais colombianos que enviou a primeira carta às Farc, no dia 19 de setembro, anunciou que já prepara uma tréplica. A correspondência que deu origem à negociação "convidava (as Farc) a desenvolverem um diálogo público por meio de um intercâmbio epistolar (de cartas) que esclareça as rotas pelas quais seria possível um entendimento". A resposta veio no dia 11 de outubro, mas só foi tornada pública ontem, pela Agência de Notícias Nova Colômbia, com sede na Suécia, e próxima às Farc.NOVAS CONDIÇÕES Desmilitarização: Pela primeira vez, as Farc não mencionaram a desmilitarização de duas cidades no Vale do Cauca como condição para as conversações de paz Reincorporação: A guerrilha também não exigiu que os combatentes detidos possam voltar às armas ao serem libertados, numa eventual troca por refénsPresidentes latinos: As Farc pedem a participação "da grande maioria dos presidentes latino-americanos" nas negociações

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.