Farc se dispõem a negociar troca de seqüestrados

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) afirmaram que continua aberta a possibilidade de uma troca de guerrilheiros presos por políticos, soldados e policiais que mantêm seqüestrados. As Farc se referiram ao chamado acordo humanitário por meio de uma declaração de Luciano Marín, mais conhecido como "Ivan Márquez", um dos membros de seu Estado-Maior, divulgada hoje pela internet. A declaração foi feita menos de um dia depois de o presidente Álvaro Uribe autorizar os parentes dos reféns a manter contatos diretos com as Farc. Aparentemente, no entanto, a notícia foi divulgada depois da redação do comunicado de "Ivan Márquez". O grupo rebelde tem em seu poder 57 políticos, soldados e policiais - alguns há dez anos -, os quais pretende trocar por 500 insurgentes presos por meio de um acordo humanitário previsto no direito internacional. O governo, porém, não aceita a exigência das Farc de desmilitarizar os municípios de Florida e Pradera (departamento do Valle del Cauca, sudoeste), para negociar a libertação dos cativos efazer o intercâmbio na região. "Apesar de tudo, por parte das Farc, a possibilidade de troca segue aberta. Só se requer o ´despejo´ (desmilitarização) nos termos expostos e que o país conhece muito bem", expressou o guerrilheiro "Ivan Márquez". O Executivo tinha se oposto até agora a permitir os contatos diretos, mas na sexta-feira deu uma virada e autorizou Lucy Artunduaga, mulher do ex-senador Jorge Eduardo Gechem Turbay - seqüestrado em 2002 - a buscar um diálogo com os rebeldes. A autorização foi anunciada no momento em que o seqüestro daex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, que também tem nacionalidade francesa e pertence ao grupo dos 57 "intercambiáveis", completava cinco anos. Segundo o rebelde, "no final do ano passado, (Uribe) tinha se comprometido a despejar incondicionalmente Florida e Pradera, mas quando a guerrilha aceitou, retrocedeu". Marín acusou o governo de justificar a suspensão dos contatos acusando as Farc de perpetrar em outubro um atentado com um carro-bomba dentro de uma escola militar de Bogotá. O guerrilheiro ressaltou que no momento do ataque "não existia um compromisso de cessar-fogo ou trégua que obrigasse as Farc e oEstado colombiano" e acrescentou que "o Exército nunca deixou de atacar e bombardear a guerrilha". "A libertação de Ingrid Betancourt e de todos os prisioneiros em poder das partes poderia ser história hoje se Uribe tivesse concordado em desmilitarizar os municípios de Florida e Pradera", expressou o dirigente das Farc.

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