REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Farc selam apoio a pacto de paz em cúpula na Colômbia

Timochenko é indicado como líder do grupo na transição para vida política

O Estado de S. Paulo

23 de setembro de 2016 | 18h17

BOGOTÁ - As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) encerraram ontem sua 10ª Conferência Nacional guerrilheira com seu apoio unânime ao acordo de paz negociado com o governo de Juan Manuel Santos, que deve ser assinado na segunda-feira para por fim a 52 anos de conflito armado. O anúncio foi feito pelo número 2 da guerrilha, Iván Márquez, responsável por liderar os rebeldes nas negociações em Cuba.

“Os guerrilheiros e guerrilheiras deram seu apoio unânime ao Acordo Final de Havana”, afirmou Márquez, no encerramento da conferência, na qual aproveitou para citar o escritor colombiano Gabriel García Márquez. “Acabou-se a guerra. Digam a Mauricio Babilonia que já pode soltar as borboletas amarelas”, disse, em referência ao romance Cem anos de Solidão.

Márquez, que liderou a equipe negociadora da guerrilha em Havana, ressaltou que os cerca de 200 delegados de todas as unidades guerrilheiras no país também reiteraram sua confiança no Estado-Maior Central e seu Secretariado - os órgãos de comando das Farc.

O guerrilheiro informou também que na conferência foi determinada a ampliação de nove para 61 do número de pessoas que compõem o Secretariado, órgão de direção colegiada das Farc, que deverá guiar sua transição rumo à paz.

“A reconciliação do país não deixa vencedores nem vencidos. Quem sai vencedor desse processo é a Colômbia e o continente”, disse.

A guerrilha, que selará na próxima segunda-feira o fim do conflito armado na Colômbia, continuará sendo liderada por Timoleón Jiménez, conhecido como Timochenko, responsável por aceitar o diálogo com o governo. Ele será o líder político do grupo.

Transição. Para o comandante Carlos Antonio Lozada, um dos membros do Estado-Maior Central das Farc, não há dúvidas de que Timochenko será responsável pela transição das Farc de guerrilha para um partido político organizado. 

Lozada também disse à AFP que os guerrilheiros Iván Márquez, Jesús Santrich e Victoria Sandino representarão as Farc na comissão de implementação do acordo de paz, que incluirá três representantes do governo, cujos nomes a guerrilha ainda desconhece.

O acordo de paz prevê que a comissão de implementação funcione até 2019, mas sua permanência poderia se estender em até uma década.

Como parte dessa comissão, haverá um mecanismo internacional de verificação, que será composto por quatro países que acompanharam as reuniões de paz: Cuba, Noruega, Venezuela e Chile.

Personalidades internacionais farão pronunciamentos periódicos sobre a implementação. José Mujica, ex-guerrilheiro que foi presidente do Uruguai entre 2010 e 2015, foi convidado pelas Farc para representá-los.

Para ser efetivo, o acordo de paz precisa de aprovação dos eleitores colombianos no plebiscito de 2 de outubro. / EFE e AFP

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