Farc: sem retirada militar não haverá trocas antes do Natal

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) afirmaram que enquanto continuarem as operações militares não haverá provas de sobrevivência dos reféns e asseguram que sem a retirada do Exército de dois municípios colombianos não será possível a troca humanitária antes do Natal de 2007.A afirmação foi feita por Raúl Reyes, porta-voz das Farc, em resposta a um questionário do telejornal "Notícias UM".Luis Edgar Devia, nome verdadeiro de Raúl Reyes, insistiu que, se não forem evacuados os casarios de Pradaria e Flórida, no Valle del Cauca (sudoeste), não haverá troca "antes deste Natal (2006), nem antes do próximo (2007)".As respostas ao "Notícias UM" foram dadas em 18 de dezembro de 2006, quando não tinha ocorrido a libertação do ex-ministro colombiano Fernando Araújo, que após seis anos em poder das Farc, conseguiu fugir, no dia 31 do mês passado.Reyes assegura em suas respostas que "todos os presos em poder das Farc correm grave risco pelo posicionamento das tropas oficiais encarregadas por Uribe (Álvaro) de resgatar esta gente a sangue e fogo".Segundo Reyes, o presidente colombiano Álvaro Uribe foi o responsável por eliminar qualquer possibilidade de troca ao culpar às Farc por um atentado em uma guarnição militar do norte de Bogotá. Além disso, o porta-voz das Farc reiterou que atualmente não há nenhum contato para discutir o tema da troca humanitária.Os contatos para a troca humanitária foram suspensos pelo presidente Uribe em outubro do ano passado, depois de as Farc perpetrarem um atentado contra a Escola Superior de Guerra, em Bogotá, no qual 24 pessoas ficaram feridas.As Farc mantêm em cativeiro 59 pessoas - políticos, soldados e policiais - que pretendem trocar por 500 guerrilheiros presos caso ocorra um acordo que é negociado há mais de quatro anos.

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