Jaime Saldarriaga/Reuters
Jaime Saldarriaga/Reuters

Farc suspendem trégua unilateral após morte de guerrilheiros

Guerrilha afirmou que continua com as negociações de paz mesmo que 'em meio aos confrontos'

O Estado de S. Paulo

22 de maio de 2015 | 13h13

BOGOTÁ - As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) suspenderam nesta sexta-feira, 22, o cessar-fogo unilateral e indefinido que havia começado no dia 20 de dezembro do ano passado. A decisão foi tomada em resposta à morte de 26 guerrilheiros em um bombardeio realizado pelo Exército colombiano em uma zona rural do sudoeste do país na noite de quinta-feira.

"Não estava em nossa perspectiva a suspensão da determinação do cessar-fogo unilateral e indefinido, mas a incoerência do governo (de Juan Manuel) Santos o conseguiu", afirmou o Secretariado das Farc em comunicado.

A guerrilha ressaltou que segue com as negociações de paz. "Contra a nossa vontade teremos de continuar com as conversas em meio aos confrontos", disseram as Farc. A implantação do cessar-fogo foi um gesto de boa vontade durante as negociações de paz que ocorrem desde 2012 para acabar com os 50 anos de conflito no país.

"Nos dói da mesma maneira as mortes de guerrilheiros e soldados, filhos de um mesmo povo e vindos de famílias pobres. Devemos parar com esse derramamento de sangue", acrescentou o comunicado.

Minutos antes, Santos havia anunciado que os 26 guerrilheiros morreram em um ataque contra um acampamento na zona rural de Guapi, no departamento de Cauca. O presidente afirmou que a frente rebelde atacada foi a mesma que, no dia 15 de abril, matou 10 militares colombianos.

"Desde o dia em que começaram as conversas em Havana tenho sido claro que as operações das Forças Armadas contra a subversão não seriam interrompidas, que ninguém se engane sobre isso", afirmou Santos ao anunciar o resultado da ação militar. "Em breve a guerrilha estará pensando em ações de retaliação, mas é justamente essa espiral de violência, ódio e vingança que precisamos interromper e transformar em uma espiral de perdão e reconciliação." /AP e EFE

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