Farc têm até domingo para aceitar cessar-fogo

O governo e a maior guerrilha colombiana, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), têm mais quatro dias para avançar concretamente no processo de paz. No domingo expira mais uma vez a concessão da zona desmilitarizada de 42.000 quilômetros quadrados ocupada pelas Farc no sul do país e o presidente da Colômbia, Andrés Pastrana, já deixou claro que ela só será renovada se as duas partes chegarem a um cronograma de negociação concreto e viável. O diálogo entre o governo e os rebeldes foi salvo do colapso total na segunda-feira à noite - quatro horas antes do vencimento de um ultimato dado por Pastrana - graças à intervenção de diplomatas do grupo de países facilitadores do processo de paz, do enviado das Nações Unidas, James LeMoyne, e de representantes da Igreja Católica. Depois de conversar com os mediadores, os dirigentes das Farc assumiram o compromisso de diminuir a intensidade do conflito interno colombiano, e, implicitamente, retiraram a exigência para que o governo levantasse os controles militares na periferia da zona desmilitarizada. A ruptura do processo de paz significaria o fim e o fracasso de três anos de negociações. O diálogo vinha sendo mantido em meio às ações violentas - que incluem operações de seqüestro de civis e ataques a postos militares -, uma vez que as duas partes nunca alcançaram um acordo de cessar-fogo. Agora, para renovar a vigência da concessão às Farc, Pastrana exige que os rebeldes aceitem um plano de trabalho específico, para que se alcance uma trégua. "Está muito claro para o país que essa trégua não pode ser alcançada em alguns dias. Seria irresponsável e ilusório pensar nisso", declarou o representante do governo nas negociações de paz, Camilo Gómez. "O que se exige, no entanto, é um cronograma muito preciso e muito específico." Intensamente criticado pela fragilidade política que demonstrou em três anos de negociação com as Farc, Pastrana foi considerado o grande vencedor da queda-de-braço com os guerrilheiros. Segundo analistas colombianos, o presidente mostrou firmeza não só no trato com os rebeldes, mas também com os chamados "falcões" - os candidatos presidenciais às eleições de maio que defendem o confronto com as Farc, e setores da linha dura do Exército, que se opõem à concessão do território à guerrilha. "Pastrana parece ter assumido o controle de um processo de paz - no qual apostou alto desde seu primeiro dia de mandato - depois de três anos de negociações infrutíferas", disse o ex-ministro de Relações Exteriores, Augusto Ramírez Ocampo. "O tom do governo mudou porque a situação se tornou insustentável. O processo de paz, em vez de baixar, parecia estar aumentando a violência." A reativação do diálogo foi comemorada nas cinco cidades do interior da zona desmilitarizada - que tem o tamanho da Suíça - como uma grande conquista esportiva. "Foi como se a seleção colombiana tivesse voltado a golear a Argentina por 5 a 0", comparou Diego González, de 20 anos, morador de San Vicente del Caguán. Centenas de pessoas se concentraram na praça central da cidade para saudar o retorno do diálogo ao som de músicas típicas colombianas. Os habitantes locais temem que o rompimento do processo de paz mergulhe a região em confrontos violentos.

Agencia Estado,

15 Janeiro 2002 | 18h51

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