Farc vão à praia e críticos vão à forra

Uribe e ministro de Santos atacam negociadores fotografados em iate; guerrilha defende 'descanso'

O Estado de S.Paulo - Reuters e AFP

06 de novembro de 2013 | 02h10

A controvérsia envolvendo a divulgação de uma foto dos líderes guerrilheiros Iván Márquez, Laura Villa e Jesús Santrich tomando sol num iate no mar caribenho de Cuba desviou a atenção da negociação de paz entre o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que ocorre em Havana.

O porta-voz da guerrilha, Rodrigo Granda, defendeu "o direito ao descanso" dos negociadores. A imagem, cuja autoria não foi esclarecida, teve ampla divulgação em meios de comunicação e redes sociais na Colômbia.

A publicação original ocorreu no site www.pensamientocolombia.org, do ex-presidente Álvaro Uribe, crítico da negociação e do presidente Juan Manuel Santos. Uribe ironizou a foto em sua conta no Twitter. "Os terroristas passeiam por Havana enquanto fazem sequestros na Colômbia", escreveu. Uribe, que ganhou popularidade por enfraquecer a guerrilha tendo Santos como ministro da Defesa, anunciou, em setembro, sua candidatura ao Senado em eleição prevista para março.

O atual ministro da Defesa, Juan Carlos Pinzón, aproveitou o episódio para tentar dividir a guerrilha. "Não é novidade que esses que estão fora do país vivem como reis, em condições de riqueza e opulência, enquanto os jovens que estão nos grupos armados aqui passam fome e sofrimento", disse.

Reação. Ao defender os guerrilheiros, Granda considerou a foto "muito bonita". "Ela me passa uma imagem tranquila de guerrilheiros que têm direito ao descanso", completou. "Estamos numa ilha cheia de praias e os guerrilheiros das Farc têm trabalhado até alta madrugada. Não se pode negar que eles têm esse direito."

Em quase um ano, as duas partes envolvidas na negociação conseguiram apenas acordos parciais e os termos para as Farc abandonarem as armas seguem em aberto. Outros temas pendentes são a luta contra o narcotráfico e as compensações financeiras às vítimas. O primeiro consenso, sobre a reforma agrária - que desencadeou a luta armada na Colômbia nos anos 60 - foi alcançado em maio.

As eleições presidenciais colombianas, nas quais o presidente deve disputar a reeleição, estão marcadas para maio do ano que vem. O governo pretende incluir na consulta popular um referendo sobre os acordos feitos com a guerrilha, que prefere manter as negociações de paz afastadas da eleição.

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