"Faria novamente", diz piloto que lançou bomba em Hiroshima

Paul Tibbets, um dos pilotos americanos que lançaram a bomba atômica sobre Hiroshima, em 6 de agosto de 1945, revelou ao jornal britânico The Guardian que havia uma terceira bomba destinada à Europa e assegurou que não se arrepende de ter "feito desaparecer todos aqueles japoneses". Tibbets, piloto do avião Enola Gay que provocou a morte de milhares de pessoas em Hiroshima, disse ao jornal que não titubearia em lançar novamente a bomba atômica e garantiu nunca ter sentido culpa por ter atingido tantos inocentes. "Não tenho dúvidas de que o faria novamente´, disse Tibbets. "Teria feito desaparecer todos esses japoneses de novo. A gente sabe que vai matar inocentes mas, ao mesmo tempo, isso é feito para evitar uma guerra mundial", afirmou. O brigadeiro da reserva, que acaba de fazer 87 anos, declarou ao Guardian que a idéia original dos militares que planejaram o ataque previa uma bomba no Pacífico e outra na Europa. "Os coronéis que estavam no comando da operação me deram uma explicação que durou de 45 a 50 minutos e depois me deixaram sozinho", disse Tibbets. Mais tarde, chegou o general Uzal Ent e, após me nomear comandante, me informou que estavam planejando lançar uma bomba no Pacífico e na Europa", afirmou o ex-piloto. De acorco com ele, tudo começou em um dia de setembro de 1944, quando chamaram o piloto para participar de uma operação com um bombardeiro B-29, com o qual estavam desenvolvendo um programa chamado Projeto Manhattan, destinado a testar bombas atômicas. "Meus superiores me explicaram para ter cuidado porque se a operação tivesse êxito, eu seria considerado herói nacional, mas se fracassasse, terminaria na prisão", disse. Segundo Tibbets, o avião que carregou a bomba atômica lançada sobre Hiroshima foi batizado em homenagem à sua mãe. "Enola Gay Haggard era o nome da minhã antes de se casar com meu pai", explicou. Tibbets afirmou desconhecer o poder de destruição da bomba que transportava, mas garantiu que voltaria a fazer tudo de novo para salvar a segurança dos Estados Unidos. "Um dos companheiros que estavam comigo no avião me perguntou se eu sabia o que estava fazendo. Falei para todos que íamos atirar uma bomba atômica. Eles escutaram, mas não houve expressão em seus rostos", disse Tibbets.

Agencia Estado,

06 Agosto 2002 | 18h51

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