Fatah considera proposta de Obama insuficiente por não mencionar Jerusalém

Para movimento nacionalista, área é parte 'inalienável' dos territórios palestinos

EFE

24 de maio de 2011 | 11h33

MOSCOU - O movimento nacionalista palestino Fatah qualificou nesta terça-feira, 24, como "insuficiente" a recente proposta de solução do conflito do Oriente Médio do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, por não mencionar Jerusalém.

 

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"Infelizmente, é insuficiente, já que não há menção alguma a Jerusalém. E Jerusalém é parte inalienável dos territórios palestinos ocupados desde 1967", afirmou em entrevista coletiva concedida em Moscou Azzam al-Ahmed, membro do comitê central do Fatah.

 

O representante palestino qualificou de "sinal positivo" a proposta de Obama, mas acrescentou que "não é a primeira vez que os EUA fazem declarações sobre a necessidade de se reconhecer o Estado palestino em suas fronteiras de 4 de junho de 1967".

 

Além disso, criticou o fato de o presidente americano ter se manifestado em termos totalmente diferentes na quinta-feira, ao anunciar a proposta, e no domingo, ao se reunir em Washington com um grupo de lobistas pró-Israel, segundo as agências russas.

 

"O conteúdo dessas afirmações (do domingo) não têm nada em comum com sua declaração anterior", avaliou o funcionário palestino após manter consultas com representantes da Chancelaria russa.

Azzam declarou que "o objetivo do governo israelense é desacelerar e abortar o processo de paz".

 

"Os israelenses dizem que não faz sentido falar de paz. Quem Abu Mazen (Mahmoud Abbas) representa? Mas quando nos unimos, nossa união é um obstáculo para eles", disse.

 

O membro do comitê central do Fatah também ressaltou que o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, transmitiu o apoio de Moscou à intenção dos palestinos de solicitar à ONU que reconheça a independência da Palestina.

 

O Kremlin respaldou imediatamente a proposta de Obama sobre a criação de um Estado palestino independente de Israel, segundo as fronteiras de 1967.

 

"Esta postura foi confirmada pelo presidente russo, Dmitri Medvedev, durante sua visita aos territórios palestinos em janeiro de 2011", afirmou Sergei Narishkin, chefe da Administração do Kremlin.

 

"Os palestinos têm direito a seu próprio governo e Estado" com capital em Jerusalém Oriental, ressaltou.

 

Obama declarou na semana passada que "o povo palestino deve ter o direito ao autogoverno, e a alcançar seu potencial em um Estado soberano e contíguo" e que "o sonho de um Estado judeu e democrático não pode ser realizado mediante uma ocupação permanente".

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