Fatah e Hamas dão início a diálogo sobre união, afirma Egito

Líderes de facções palestinas rivais teriam concordado, no Cairo, em começar diálogo para formar governo comum

CAIRO, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2013 | 02h06

Reunidos no Cairo, representantes das facções palestinas Fatah e Hamas concordaram ontem em dar início a um processo que poderá levar a um governo de união nacional, encerrando a divisão entre a Cisjordânia e a Faixa de Gaza. A informação foi revelada por fontes do Egito.

O conteúdo do acordo não foi divulgado, tampouco está claro se ambos apenas concordaram em realizar novas rodadas de negociação. No entanto, a reunião no Cairo é mais um sinal de aproximação que os grupos palestinos vêm emitindo nos últimos dois meses - desde que Hamas e Israel travaram uma guerra de oito dias e a Autoridade Palestina, controlada pela Fatah, conseguiu ser reconhecida como "Estado observador" da ONU.

Na semana passada, dezenas de milhares de partidários do grupo do presidente Mahmoud Abbas fizeram uma manifestação em Gaza. Antes, simpatizantes do Hamas haviam realizado um ato na Cisjordânia.

Há quase seis anos, os dois grupos travaram uma breve guerra civil e, desde então, a Fatah, de Abbas, governa a Cisjordânia e o Hamas, Gaza. As iniciativas de reaproximação, até agora, não deram resultados concretos. "Foi acertado que os dois lados começarão imediatamente a implementar os mecanismos que haviam sido acordados previamente", afirmou uma fonte do Cairo à agência Reuters. Desde a ditadura de Hosni Mubarak, a inteligência egípcia participa da negociação.

Nabil Abu Rudeineh, um dos principais assessores diplomáticos do presidente Abbas, confirmou ter se encontrado pessoalmente com o número 1 do Hamas, Khaled Meshal. A reunião foi "demorada" e teve uma "atmosfera positiva", disse Rudeineh, sem entrar em detalhes sobre o conteúdo das negociações.

O objetivo dos egípcios seria levar os negociadores palestinos a um encontro com o presidente Mohamed Morsi - o que não ocorreu. Nos bastidores, Abbas recusa qualquer encontro no qual ele e o representante do Hamas teriam status equivalente.

A Fatah rejeita o uso da violência contra Israel e diz estar disposta a retomar uma negociação de paz, reconhecendo as fronteiras pré-1967. O Hamas segue comprometido com a "resistência" armada, não aceita o direito de existência de Israel e fala apenas em negociar uma "trégua" com o "inimigo". / REUTERS

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