Fatah e Hamas reunificam governo e marcam eleição em Gaza e Cisjordânia

Acordo entre facções palestinas rivais enfurece governo de Israel e é recebido com ‘preocupação’ pelos EUA, que promovem negociação entre árabes e judeus

O Estado de S. Paulo,

23 de abril de 2014 | 11h13

(Atualizada às 23h35) CIDADE DE GAZA - As duas principais facções palestinas - o grupo islamista Hamas, que controla a Faixa de Gaza, e o Fatah, braço político da Organização de Libertação da Palestina (OLP), que administra a Cisjordânia - anunciaram na quarta-feira, 23, um acordo de conciliação, sete anos depois do rompimento que provocou a cisão na administração dos territórios.

O pacto determinou a formação de um gabinete provisório, único, e a convocação de eleições para daqui a seis meses.

Primeiro-ministro do Hamas, Ismail Haniyeh (D) e Azzam al-Ahmed, líder do Fatah, anunciam reunificação palestina (Foto: Suhaib Salem/Reuters)

Em ocasiões anteriores, as facções anunciaram entendimentos parecidos, nunca postos em prática. O atual pacto, porém, foi firmado num momento em que as frágeis negociações entre a Autoridade Palestina (presidida pela OLP) e Israel - mediadas pelos EUA - se aproximam do prazo final, marcado para o dia 29, para que israelenses e palestinos cheguem a um acordo definitivo.

A resolução do conflito entre árabes e judeus, porém, não está no horizonte. Fontes próximas das negociações afirmam que israelenses e palestinos não conseguem chegar a um acordo nem sobre como estender o diálogo após o prazo.

"A boa notícia que temos para o nosso povo é que a era de divisão acabou", afirmou o primeiro-ministro do Hamas, Ismail Haniyeh, em sua casa no campo de refugiados de Shati, na Faixa de Gaza, que foi aplaudido após o anúncio, numa entrevista coletiva que contou com a presença de líderes do Fatah. O governo palestino provisório deverá ser formado em até cinco semanas.

Israel respondeu ao anúncio cancelando a reunião do diálogo com os palestinos que ocorreria nesta quarta à noite. Um israelense em contato com as negociações afirmou que não ficou imediatamente claro como o pacto entre os palestinos afetará a conversa entre a AP e Israel. "Isso introduz uma grande complicação", disse a fonte.

O movimento islâmico Hamas, ao qual os israelenses acusam de receber apoio do Hezbollah, não reconhece Israel.

Antes do anúncio de Haniyeh, o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, acusou o presidente palestino, Mahmoud Abbas, de sabotar as negociações ao buscar a reaproximação com o movimento islâmico que controla Gaza. "Em vez de se mover na direção da paz com Israel, ele (Abbas) está se movendo na direção da paz com o Hamas. Ele tem de escolher. Ele quer paz com Hamas ou paz com Israel? Não se pode ter as duas coisas."

"Não há nenhuma contradição entre a unidade (palestina) e as negociações (com Israel) e estamos comprometidos em estabelecer uma paz justa, com base numa solução de dois Estados", declarou Abbas.

Considerada uma organização terrorista por Israel, EUA e União Europeia, o Hamas expulsou o Fatah, a facção de Abbas, de Gaza em 2007. Cada lado se entrincheirou em seu território, estabelecendo forças de segurança e governos próprios. A divisão representa um grande obstáculo para o objetivo de Abbas de fundar um Estado palestino independente na Cisjordânia e Gaza, com capital em Jerusalém Oriental - regiões que Israel capturou na Guerra dos Seis Dias, em 1967.

O governo dos EUA mostrou-se decepcionado com o pacto de união entre os palestinos. "O momento é atribulado e estamos certamente decepcionados com o anúncio", afirmou a porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki. "Isso poderia complicar seriamente nossos esforços - não apenas os nossos, mas os das partes - em estender suas negociações."

Os governos do Egito e do Catar, por sua vez, elogiaram o pacto de reunificação palestina. / NYT, AP e REUTERS

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