Fatah e Hamas se reúnem, mas impasse persiste

Embora indefinição sobre cronograma eleitoral continue, facções palestinas concordam em libertar presos e qualificam encontro no Cairo de frutífero

LOURIVAL SANTANNA , ENVIADO ESPECIAL / CAIRO , O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2011 | 03h03

Seis meses após o encontro que selou a reconciliação entre as duas facções, o presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmoud Abbas, e o líder do Hamas, Khaled Meshaal, voltaram a se reunir ontem no Cairo, mas não conseguiram dar passos concretos para a formação de um governo de união nacional na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, nem marcaram uma data para as eleições gerais palestinas, que não ocorrem desde 2006.

Abbas, líder da frente moderado Fatah, que governa a Cisjordânia, e Meshaal, cujo grupo islâmico controla a Faixa de Gaza, reuniram-se por duas horas na capital egípcia. No fim, não anunciaram medidas definitivas, que segundo eles serão acertadas em novas reuniões entre funcionários de escalões mais baixos.

"O importante para nós é que tratamos como parceiros e carregamos a mesma responsabilidade perante nosso povo e nossa causa", disse Abbas. Já Meshaal considerou o encontro "uma nova página" nas relações entre ambas as facções palestinas.

De concreto, foi anunciada a decisão de soltar ativistas dos dois grupos e o engajamento conjunto na "resistência popular", que é como os palestinos chamam manifestações pacíficas contra Israel. No encontro de maio, Fatah e Hamas acertaram a formação de um governo interino de união nacional, composto por técnicos sem filiação política, e a realização de eleições presidenciais dentro de um ano.

No entanto, os dois grupos não conseguiram chegar a um acordo sobre quem chefiaria o governo. Abbas queria a manutenção do atual primeiro-ministro, Salam Fayyad, rejeitado pelo Hamas, que o considera próximo demais do Ocidente.

O Hamas discorda de posições centrais adotadas pelo Fatah, como a condução de negociações com Israel e o pedido de reconhecimento do Estado palestino pela ONU.

Reação. Para o movimento islâmico, esses passos não podem ser dados sem a garantia do direito de retorno de mais de 4 milhões de refugiados palestinos das guerras de 1948 e de 1967.

Em Israel, a reação foi imediata. "Quanto mais Abbas se aproxima do Hamas, mais se distanciará da paz", advertiu Mark Regev, porta-voz do governo israelense.

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