Fatah reage e amplia tensão entre palestinos

Grupo responde à prisão de partidários em Gaza, pelo Hamas, com detenções na Cisjordânia

AP e Reuters, Gaza, O Estadao de S.Paulo

28 de julho de 2008 | 00h00

A disputa entre o Hamas e o Fatah se intensificou ontem, quando forças de segurança dos dois grupos prenderam dezenas de integrantes da facção rival, elevando a tensão na Faixa de Gaza. A rivalidade entre o grupo radical e o partido do presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmud Abbas, foi inflamada na sexta-feira, após um atentado na Cidade de Gaza matar cinco militantes do Hamas, além de uma garota de 6 anos.O Hamas responsabilizou o Fatah pelo ataque e, em represália, prendeu quase 200 integrantes do partido de Abbas no sábado. O grupo também invadiu escritórios e confiscou documentos da facção rival. O Fatah desmentiu envolvimento e atribui o atentado a uma disputa interna do grupo radical. Na Cisjordânia, forças de segurança do Fatah prenderam cerca de 20 partidários do Hamas na cidade de Jenin, no norte. Outros 15 foram detidos em Tulkarem (também no norte), suspeitos de armazenar armas. Ao mesmo tempo, em Gaza, militantes do Hamas ergueram dezenas de bloqueio nas principais estradas e voltaram a prender membros do Fatah. Um funcionário do alto escalão do Fatah em Gaza atravessou a fronteira com Israel para fugir das forças de segurança do Hamas. As prisões provocaram temores de mais violência entre os palestinos. O ataque da sexta-feira foi o pior na região desde que o Hamas expulsou o Fatah e assumiu o controle da Faixa de Gaza, após sangrentos confrontos há mais de um ano "Tememos que o diabo esteja colocando um irmão contra o outro e eles passem a derramar sangue", disse a moradora de Gaza Fatima Salama. "Deus os faça parar antes que haja mais mortos", disse outro habitante da cidade, Abu Adel.Abbas voltou a pedir ontem que o Hamas aceite dialogar e disse que o Egito convidará, nos próximos dias, representantes das facções para conversas no Cairo. "O ataque em Gaza provou que o Fatah não está interessado no diálogo. Tudo o que querem é provocar anarquia aqui", disse Sami Zuhri, porta-voz do Hamas.

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