Fator internet impede favoritismo na corrida republicana pela Casa Branca

Oposição organizada. Twitter, YouTube e Facebook dão sobrevida a pré-candidatos nas primárias e 'azarões' com pouco dinheiro em caixa conseguem se manter com chances de vitória por mais tempo; tendência é que liderança de Romney seja reduzida em breve

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2012 | 03h05

A entrada definitiva das primárias americanas na era do Twitter e do YouTube teve uma consequência inesperada. Ao contrário do que ocorria no passado, o uso de novas tecnologias deixou a corrida interna do Partido Republicana mais acirrada e, consequentemente, mais longa. Com suas estratégias online, candidatos gastam menos, consolidam seus nomes mais facilmente e prolongam a disputa.

Embora os resultados iniciais indiquem um favoritismo do ex-governador de Massachusetts Mitt Romney, Frank Newport, editor-chefe do Instituto Gallup, afirma que "tudo ainda é possível nas primárias republicanas". Antes da apuração dos votos na Carolina do Sul, que ocorreu ontem, o analista disse que "há uma tendência de queda" na popularidade de Romney em todo o território americano.

Mesmo quando o liberal radical Ron Paul não está incluído, o bloco conservador anti-Romney tem mais intenções de voto do que o ex-governador de Massachusetts. Assim, uma eventual desistência do ex-senador Rick Santorum ou do ex-deputado Newt Gingrich, por exemplo, favorece um nome conservador contra Romney, atual favorito.

Até agora, menos de 1% dos delegados foram decididos. Para representar o partido na corrida pela Casa Branca, o candidato precisa conseguir 1.144 para vencer a Convenção Republicana, marcada para 27 de agosto em Tampa, na Flórida. Romney, que liderava a corrida antes das primárias da Carolina do Sul, tem cerca de 20 delegados, menos de 1% do necessário para vencer.

"Com a internet e os debates, poderei seguir adiante por vários Estados, mesmo sem dinheiro", afirmou Gingrich, que possui bem menos recursos para gastar em publicidade do que a multimilionária campanha de Romney. Dentro de dez dias, um dos principais adversários do ex-governador de Massachusetts poderá superá-lo se ganhar a primária na Flórida, onde o vencedor levará todos os 50 delegados.

Gingrich, ex-presidente da Câmara dos Representantes, esteve à frente das pesquisas até dezembro, sem que ele investisse mais na campanha. Em seguida, viu sua candidatura perder espaço depois de ser alvo de ataques de adversários.

Na semana passada, sua popularidade voltou a crescer, mas poderia voltar a recuar em razão de uma entrevista de sua ex-mulher para a rede de TV ABC, afirmando que ele queria ter um "casamento aberto", no qual pudesse manter uma amante.

Ao mesmo tempo, Gingrich recebeu o apoio de Rick Perry, governador do Texas, que abandonou a disputa, e do ator Chuck Norris, considerado a maior celebridade republicana.

No páreo. A possibilidade de vitória de Santorum, que venceu o caucus em Iowa, tampouco pode ser descartada, de acordo com James Pethokoukis, do American Enterprise Institute. "Romney é vulnerável à agenda social conservadora de Santorum e à sua política econômica populista, mais sintonizada com a base do partido", afirmou.

Ron Paul, que promete seguir até o fim das primárias, conta com o apoio de uma rede de jovens universitários espalhados pelos EUA que trabalham como voluntários em sua campanha.

Sua chance de ser o escolhido do partido é pequena, pois o pré-candidato defende uma posição isolacionista em política externa, considerada intragável para a maior parte dos republicanos. No entanto, ele diz querer seguir até o fim para ter algumas centenas de delegados na convenção e dar voz a suas propostas, incluindo a eliminação do Fed (Banco Central dos EUA).

Os três rivais de Romney também tem usado meios gratuitos, incluindo uma série de programas em canais a cabo, como a MSNBC e a Fox News, e os debates para divulgarem suas propostas. Eles podem disseminar ainda mais essas aparições por meio do Twitter e colocando vídeos no YouTube sem gastar quase nada.

Até as primárias nos anos 80, os americanos costumavam acompanhar as eleições apenas nos noticiários dos três grandes canais de TV - NBC, CBS e ABC. Os candidatos não tinham alternativa a não ser pagar muito dinheiro por anúncios durante os programas dessas emissoras.

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