Mandel Ngan/AFP
Mandel Ngan/AFP

Fauci volta a falar em preocupação com Brasil e promete reunião com autoridades do País

Principal infectologista do governo americano não se comprometeu com compartilhamento de vacinas

Beatriz Bulla, CORRESPONDENTE, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2021 | 19h15

WASHINGTON - Responsáveis pela estratégia de combate à covid-19 no governo Joe Biden voltaram a falar nesta quarta-feira, 24, da preocupação com a situação da pandemia no Brasil. O principal infectologista do governo, Anthony Fauci, afirmou que terá reunião com autoridades brasileiras, quando os EUA poderão entender como ajudar o País, mas não se comprometeu com compartilhamento de vacinas.

"Nós vamos nos reunir com autoridades brasileiras", disse Fauci. "Estamos bem preocupados com a situação difícil do Brasil e iremos discutir formas de ajudar o país", afirmou o infectologista. Fauci disse que não entraria em detalhes, porque aguarda ver o que os órgãos brasileiros irão informar para, então, avaliar como os americanos poderão ajudar.

O Itamaraty informou que está em contato com o governo americano desde o dia 13 de março, após o jornal The New York Times revelar que havia pressão sobre o governo Biden para compartilhar doses de vacina da AstraZeneca com outros países, como o Brasil. Ainda segundo o jornal americano, algumas nações já haviam requisitado que os americanos doassem o imunizante que ainda não está em uso. Desde então, a diplomacia brasileira tem trabalhado para agendar uma reunião com autoridades de órgãos de saúde, como a Anvisa, e a equipe do governo americano.

Nesta quarta-feira, em audiência na Câmara dos Deputados, o chanceler brasileiro Ernesto Araújo disse que considera “difícil” o Brasil obter dos EUA a liberação para compra de vacinas, mas afirmou que o governo tem "boa perspectiva" de conseguir "kits de intubação" e máquinas de produção de oxigênio nos EUA.

No mesmo dia, as autoridades do governo Biden voltaram a dizer que a prioridade é garantir a vacinação nos EUA, antes de disponibilizar o excedente. "Depois de cuidarmos da situação realmente difícil que temos em nosso próprio país, com mais de 535 mil mortes, obviamente teremos, no futuro, vacina excedente, e certamente consideramos tornar essa vacina disponível para países que precisam dela", disse Fauci. 

"Nós estamos preocupados com a situação no Brasil. Temos tido conversas no Brasil regularmente, diariamente, sobre o que está acontecendo lá. Não darei mais detalhes além de dizer que estamos profundamente engajados", disse o conselheiro sênior da Casa Branca para resposta à pandemia, Andy Slavitt.

Na semana passada, a Casa Branca informou que tem 7 milhões de doses da vacina da AstraZeneca para compartilhar com a comunidade internacional e anunciou o empréstimo de 2,5 milhões ao México e 1,5 milhão ao Canadá. O imunizante da AstraZeneca ainda não foi autorizado para uso nos EUA, por isso as doses compradas pelos americanos estão paradas.

O governo americano tem sido pressionado a compartilhar doses de vacina com nações pobres e em desenvolvimento, conforme consegue avançar na imunização da própria população. Mais de 85 milhões de moradores dos EUA já receberam ao menos uma dose de vacina. Fauci e Slavitt voltaram a falar que o governo Biden está comprometido com o financiamento de US$ 4 bilhões para o Covax Facility, o consórcio da Organização Mundial da Saúde (OMS) para promover o acesso equitativo às doses.

 

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