Favoritismo faz senador virar alvo de ataques

Obama passa a semana defendendo-se de uma série de acusações da imprensa e de assessores de Hillary

Cristiano Dias, HOUSTON, O Estadao de S.Paulo

05 de março de 2008 | 00h00

Nos últimos dias, o senador Barack Obama sentiu, pela primeira vez, o desconforto de ser o favorito à nomeação democrata para a disputa pela Casa Branca. Depois de vencer 11 primárias seguidas, ele foi obrigado a passar os últimos dias defendendo-se de acusações feitas pela campanha de Hillary Clinton e rebatendo informações publicadas pela imprensa, que cada vez mais o escolhe como alvo de suas histórias.Na semana passada, o senador mobilizou sua equipe para justificar uma gafe de Austan Goolsbee, seu principal conselheiro em política econômica. Goolsbee teria dito a um diplomata canadense que a oposição de Obama ao Nafta, o tratado de livre-comércio dos EUA com Canadá e México, não passava de jogo de cena. Depois de negar a informação, a agência de notícias Associated Press divulgou na segunda-feira um memorando da Embaixada do Canadá confirmando a história. A campanha ironizou o caso chamando-o de "Naftagate".Também na segunda, Obama foi colocado contra a parede pela imprensa americana, que voltou a questionar sua relação com o empresário Tony Rezko, acusado de corrupção, fraude, lavagem de dinheiro e sonegação. Rezko doou US$ 150 mil para a campanha do senador e o ajudou a comprar uma casa. Apesar de não estar envolvido nas acusações e de ter devolvido o dinheiro doado, Obama perdeu um tempo precioso respondendo a questões constrangedoras e vendo seu nome citado em uma corte federal.ATAQUES DA RIVALOutros transtornos de Obama foram conseqüência de ataques cada vez mais duros de Hillary, que os usou como último recurso para tentar impedir o crescimento de Obama. Para evitar o colapso de sua candidatura, ela dependia desesperadamente de uma vitória ontem nas prévias dos Estados de Ohio, Texas, Vermont e Rhode Island.Na semana passada, Hillary conseguiu fazer com que assessores de Obama perdessem um dia inteiro para explicar uma foto em que o senador aparece vestido com uma roupa típica da Somália. A imagem teria sido divulgada pela equipe da rival. Na sexta-feira, outra onda de e-mails trouxe de volta um velho boato: o de que Obama seria muçulmano. Com isso, ele passou o domingo jurando fidelidade a Jesus. "Eu sou cristão", disse num discurso em Ohio.Para os analistas, nenhuma surpresa. Quando passa a ser favorito, todo candidato vira alvo da imprensa e dos adversários. O problema é que as seguidas acusações ameaçam transformar Obama em um político comum, bem diferente do pop star imune ao jogo de bastidores de Washington. "Até a semana passada, eu achava que seria mais fácil para John McCain (o candidato republicano) enfrentar Hillary em novembro", afirmou na segunda-feira Ari Fletcher, ex-porta-voz da Casa Branca durante o governo Bush. "Depois do fim de semana, acho que talvez seja mais fácil desconstruir a candidatura de Obama."

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