Daniel Vides/ AFP
Daniel Vides/ AFP

Favorito, candidato governista busca voto de centro

Após vitória em primária, candidato do governo à sucessão de Cristina, Daniel Scioli, traça estratégia para se afastar da imagem kirchnerista até a eleição de outubro; opositores ensaiam aproximação que deve se concretizar se houver 2.º turno

Rodrigo Cavalheiro, Correspondente / Buenos Aires, O Estado de S. Paulo

11 de agosto de 2015 | 01h00

O candidato kirchnerista, Daniel Scioli, obteve 38,5% dos votos na primária obrigatória de domingo. A integrantes de sua campanha, relatou o que fará pelos votos que faltam para se eleger no primeiro turno: ser o menos kirchnerista possível. A coalizão do conservador Mauricio Macri alcançou 30% e a do ex-kirchnerista Sergio Massa, 20,6%. Ambos admitiram ontem “pontos em comum”, o que sugere uma aproximação.

Para Scioli evitar o segundo turno, precisa atingir em 25 de outubro 45% dos votos válidos – ou 40%, desde que abra 10 pontos sobre o segundo colocado. Questionado sobre sua tendência política numa entrevista ontem, ele demonstrou irritação com a tentativa de classificá-lo no espectro político. “Mas que de centro ou de direita? Vou fazer o correto. Se há algo que nos caracteriza é a diversidade”, disse, confiando em sua “capacidade de diálogo” para evitar o que seria um segundo turno inédito no país, em 22 de novembro.

Analistas divergem sobre a estratégia que os três devem seguir, mas são unânimes ao dizer que todos precisarão buscar votos fora de seu eleitorado cativo. A discordância a respeito das táticas ocorre porque a transferência de votos não se dá automaticamente entre opositores. Segundo a consultoria M&F, os de Massa, por exemplo, em um hipotético combate direto entre Scioli e Macri, se dividiriam igualmente. Embora Massa se declare opositor do kirchnerismo, ao qual pertenceu até 2010, sua base militante é peronista como Scioli.

“Se o número de domingo se repetir em outubro, haverá um segundo turno vencido por Scioli. Ele é o favorito hoje”, calcula o sociólogo Ignacio Labaqui, da Universidade Católica. De acordo com o especialista, não há registro na América Latina de um candidato que tenha virado o jogo no segundo turno após ficar mais de 7 pontos porcentuais atrás no primeiro. Ontem, Macri afirmou que tem pontos do programa em comum com Massa. Massa retribuiu a gentileza, indicando que não pretende travar uma disputa entre opositores que beneficie o governismo.

Uma possível aliança opositora ocorreria apenas diante de um segundo turno, pois se Massa desistir da disputa sacrificará todos os candidatos a legislador e prefeitos que o levaram a um resultado melhor do que apontavam as pesquisas.

“O governismo não vence em primeiro turno se não avançar, mas a oposição sabe que não ganhará se for dividida”, diz o consultor e analista político Ricardo Rouvier. “Existe vontade dos opositores porque faltam votos ao grupo de Macri.”

A primária indicou também que o próximo presidente terá de negociar mais no Congresso, hoje dominado pelo kirchnerismo. Os governistas perderiam influência na Câmara, mas aumentariam sua supremacia no Senado. Isso lhes daria mais margem de manobra para alterações na composição do Judiciário, com o qual mantêm uma disputa constante.


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