Favorito à cúpula enfrenta escândalo

O processo de sucessão chinês ganhou tons cinematográficos com o escândalo político que atingiu Bo Xilai, um dos principais candidatos à cúpula do Partido Comunista, e reduziu a popularidade de seu "modelo de Chongqing", que privilegia o papel do Estado na economia e é temperado pelo resgate de canções vermelhas que estiveram em alta na Revolução Cultural (1966-1976).

PEQUIM, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2012 | 03h03

A crise que envolve Bo beneficia seu rival Wang Yang, patrono do "modelo de Guangdong (Cantão)", mais liberal do ponto de vista econômico e político. A província do sul da China foi a primeira a realizar reformas nos anos 80 e tem a mais livre imprensa do país.

Secretário-geral do Partido Comunista em Guangdong desde 2007, Wang defende a redução do papel do Estado em favor da iniciativa privada e é simpático à ideia de uma sociedade civil ativa. O dirigente ganhou pontos da opinião pública pela maneira pacífica com que administrou a revolta que levou camponeses a erguerem barricadas e a ocuparem as ruas na vila rural Wukan no fim do ano passado.

A crise terminou com a realização de eleições para substituição dos chefes locais acusados de corrupção, em disputa vencida pelos líderes do movimento.

Personalista e ávido por publicidade, Bo parecia destinado a estar entre os nove integrantes do Comitê Permanente do Politburo até o mês passado, quando seu ex-braço direito Wang Lijun buscou refúgio no Consulado dos EUA em Chengdu, capital da Província de Sichuan.

Não se sabe se ele pediu asilo político ou usou a representação diplomática americana para negociar proteção de Pequim contra seu ex-chefe, temendo ser assassinado. Wang está sendo investigado sob acusação de corrupção, em um caso que pode resvalar em Bo.

Mesmo que suas chances de chegar à cúpula do Partido forem enterradas, Patrick Chovanec, da Universidade Tsinghua, não acredita que o "modelo de Chongqing" estará morto. "O apelo desse sistema que privilegia a presença do Estado na economia vai além de Bo Xilai", observa o economista. / C.T.

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