Albert Olivé/Efe
Albert Olivé/Efe

Favorito às eleições na Espanha pede tempo ao mercado

Mariano Rajoy, líder conservador, faz apelo para que país deixe de ser alvo de especulações e possa realizar reformas e reduzir o déficit público

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

19 de novembro de 2011 | 12h56

O candidato favorito para vencer as eleições na Espanha amanhã, Mariano Rajoy, pede tempo e crédito aos mercados para aplicar suas reformas e reduzir o déficit público. No último dia de campanha, o país passou por uma nova turbulência. O mercado havia classificado a economia espanhola como o centro da crise da dívida da zona do euro. A taxa de risco do país teria superado a da Itália e chegou a ultrapassar o nível atingido por outros países que já foram resgatados. Mas, já no início da noite, o governo espanhol se queixou de que as agências Bloomberg e Reuters teriam se equivocado ao avaliar os números.

 

O Banco Central Europeu voltou a agir para frear a crise e, ao final do dia, o risco país da Espanha havia cedido. Mas o pânico nos mercados já estava estabelecido. Numa tentativa desesperada de acalmar os mercados e garantir que não haverá um pedido de resgate à União Europeia ou ao Fundo Monetário Internacional, a vice-presidente do governo, Elena Salgado, assegurou que as contas da Espanha são "sustentáveis". Salgado insistiu que a tensão "não está justificada" e culpa a situação geral de incertezas na zona do euro pela alta na taxa de risco.

 

Enquanto o governo tentava abafar as dúvidas, Rajoy apelava aos mercados para que o dessem uma chance para ele demonstrar que pode enfrentar a crise econômica.

 

"A taxa de risco está em um nível muito ruim. Espero que isso acabe e eles (os atores no mercado) entendam que aqueles que vão ganhar as eleições têm direito a uma margem mínima, que deve ser mais de meia hora", disse. "Vamos cumprir nossas obrigações", garantiu. "Não vai ser da noite para o dia. Não haverá mágica. Mas com vontade política e seriedade, esse país volta facilmente ao lugar que merece", disse o favorito às eleições.

 

Rajoy evita a todo custo anunciar quais são as medidas. Mas não é segredo em Madri que serão duras e ameaçam aprofundar os problemas sociais no país. O candidato promete "cortar onde for necessário" para trazer o déficit para 4,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012, como combinado com a UE.

 

Nos últimos dias, os mercados têm deixado claro que não estão convencidos que a troca de governo será suficiente para superar a crise. O mercado desafiou o Banco Central Europeu e, apesar de a instituição gastar alguns bilhões de euros para frear a contaminação na Espanha, a tensão continuou.

Manipulação. Diante das incertezas, Rajoy não hesita em manipular a crise e a alta no risco país a seu favor. Ontem, pediu que a população espanhola não apenas desse a vitória a seu partido, mas garantisse maioria absoluta para permitir que as reformas sejam aprovadas sem terem de ser negociadas no Parlamento.

 

Segundo ele, essa ampla maioria será boa para a Espanha, para a estabilidade da Europa e até para a economia mundial. "Quanto mais sejamos, melhores poderemos superar as dificuldades", afirmou Rajoy, em seu último discurso ontem.

 

As últimas sondagens mostram que o Partido Popular vai voltar ao poder na Espanha, depois de oito anos ausente. Mas o que buscam agora é justamente garantir maioria. Na prática, isso significa um virtual cheque em branco para que Rajoy adote o pacote de austeridade que acreditar adequado, sem precisar consultar nenhum outro partido, sindicato ou força política.

 

Rajoy, ontem, usou seu último discurso para pedir votos. "É uma mensagem para fora da Espanha, de que temos uma nação que vai fazer as coisas de forma correta", afirmou. Membros de seu partido chegaram a lembrar que a divisão entre os espanhóis chegou a levar à Guerra Civil nos anos 30. "Não há nada que queremos mais que tirar a Espanha da crise, e para isso precisamos de união", disse Rajoy. "Estou preparado para ser o presidente de todos os espanhóis", afirmou.

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