Favorito busca voto feminino no México

Enrique Peña Nieto encerra campanha à presidência com comício em Toluca, seu Estado natal, custeado pela ágil máquina partidária do PRI

RODRIGO CAVALHEIRO , ENVIADO ESPECIAL / , TOLUCA, MÉXICO , O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2012 | 03h02

A campanha eleitoral mexicana terminou ontem com o favorito, Enrique Peña Nieto, do PRI, dedicando seu último discurso à caça do voto feminino. Em Toluca, capital do Estado do México, governado por ele até o ano passado, o candidato - que segundo a última pesquisa leva 13 pontos de vantagem sobre o representante da esquerda, Manuel López Obrador - não tocou nos temas criminalidade ou narcotráfico. Falou de mulheres.

Peña Nieto agradeceu cinco vezes a presença feminina na plateia e elogiou sua beleza. Consequência provavelmente dos ataques que tem sofrido de seus rivais, que atribuem a ele a culpa pela violência doméstica no Estado. Foram 922 mortes em 5 anos.

Depois de colocar 100 mil pessoas no Estádio Azteca no domingo, alugando para isso mais de mil ônibus, o PRI exibiu de novo uma máquina partidária mais potente que a dos rivais PRD, partido de Obrador, e PAN, da governista Josefina Vásquez. Pelo menos 10 mil eleitores de varias cidades do Estado concentraram-se na cidade industrial de Toluca, de 1,8 milhão de habitantes. O transporte até o local do discurso foi financiado pelo PRI, assim como o lanche: suco, sanduíche e batatas fritas com pimenta.

"Ao longo de tanto tempo no poder, o PRI reuniu uma estrutura no interior que não se compara à dos outros dois partidos. O PRD até conta com algo parecido no Distrito Federal. Mas o PAN é muito mais fraco", avalia José Antonio Crespo, analista político do Centro de Investigación y Docencia Económica. "Os feminicídios são um problema grave no Estado. Mas ninguém pode saber porque ele preferiu este tema ao narcotráfico", completa Crespo.

A dona de casa Sandra Luz, de 31 anos, levou as duas filhas ao comício. Foi recolhida em frente de casa no povoado de San Cristóbal, a 20 minutos de Toluca, às 8h30. Chegou uma hora antes do comício. "O lanche conta, mas vim porque gosto dele. Criou uma escola perto da minha casa, nossa vida melhorou", afirmou Sandra, com dois bonés do candidato na cabeça.

Depois de sair do governo para concorrer à presidência, no final do ano passado, Peña Nieto elegeu seu sucessor, Eruviel Ávila, com mais de 60% dos votos. Esse é seu principal argumento quando os adversários o acusam de não ter cumprido a maior parte das 608 promessas que colocou no papel ao assumir o governo do Estado de México - "Peña Nieto cumpre" é seu lema de campanha.

Os adversários também o acusam de firmar promessas tão simples que consumiram apenas 2% do orçamento em seu período como governador. O Estado natal de Peña Nieto é um daqueles em que o domínio do PRI é mais forte, o que estimula uma rivalidade com o Distrito Federal, dominado pelo PRD, de esquerda.

"Ele fez muito pelo Estado. Construiu estradas e hospitais", argumentou o professor Pedro Montes de Oca. No comício, Peña Nieto prometeu reduzir o preço dos alimentos e da energia elétrica. Outros compromissos, estampados em outdoors e ônibus na coligação de seu partido com o Partido Verde, são distribuir remédios de graça para todos, acabar com a miséria no país, terminar com o sistema de cotas em escolas públicas e adotar a prisão perpétua para sequestradores.

Suas falas eram interrompidas por aplausos sem entusiasmo. O público parecia mais animado quando soava a música de campanha usando a melodia da canção brasileira Ai, se eu te pego, de Michel Teló. O candidato do partido que governou o México por 71 anos é o favorito para as eleições de domingo. Peña Nieto tem, segundo pesquisa da consultoria Mitofsky, 13 pontos sobre o candidato de esquerda, López Obrador, que encerrou sua campanha com uma marcha na Cidade do México.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.